Mary Cohen assume presidência do Instituto Dom Azcona, que ganha nome em homenagem à Irmã Henriqueta
O Instituto de Direitos Humanos Dom José Luis Azcona anunciou, nesta sexta-feira (23), uma nova fase em sua história, com a confirmação da diretoria e uma atualização significativa em sua nomenclatura. A mudança ocorre após o trágico falecimento da presidente, a irmã Henriqueta Cavalcante, vítima de um acidente de carro no dia 10 de janeiro, na Paraíba.
Transição de liderança e homenagem póstuma
Com a morte de irmã Henriqueta, a advogada Mary Cohen, que ocupava o cargo de vice-presidente, assumiu a presidência da entidade. A confirmação oficial ocorreu durante uma assembleia geral realizada no dia 16 de janeiro. Na mesma reunião, foi definida a nova nomenclatura da organização, que passa a se chamar Instituto Dom Azcona e Irmã Henriqueta de Direitos Humanos (IDAH).
Segundo a instituição, o IDAH está em um processo de reorganização para garantir a continuidade do legado dos fundadores, Dom José Luiz Azcona e Irmã Henriqueta Cavalcante, mantendo o compromisso inabalável com a defesa dos direitos humanos.
Foco na atuação e combate à violência
O IDAH reforça que sua atuação continua voltada, principalmente, ao enfrentamento das diversas formas de violência contra populações vulneráveis, com ênfase em crianças, adolescentes e mulheres. A região do arquipélago do Marajó, que apresenta o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Pará e do Brasil, permanece como área de atenção prioritária.
“Essa equipe vai trabalhar conduzindo todo o legado de dom Azcona e Irmã Henriqueta, não apenas na área do Marajó”, explicou Mary Cohen, destacando que o principal foco do instituto é o combate à violência contra crianças, adolescentes e mulheres.
Ela acrescentou: “Esse foco se desdobra não só sobre a exploração sexual, como também sobre o tráfico de pessoas, que é uma ferida muito grande. Infelizmente, ainda temos rotas de tráfico pela região do Marajó, e isso precisa ser denunciado e combatido”.
Legado de Irmã Henriqueta
A defensora dos direitos humanos irmã Marie Henriqueta Ferreira Cavalcante morreu no dia 10 de janeiro, em um acidente de carro na BR-230, rodovia Transamazônica, enquanto viajava de Campina Grande para João Pessoa, na Paraíba. Irmã Henriqueta, como era conhecida, presidia o Instituto de Direitos Humanos Dom José Luis Azcona, que leva o nome do bispo emérito do Marajó, falecido em 2024.
Ambos se tornaram símbolos da luta contra o tráfico humano e a exploração sexual infantil no arquipélago do Marajó. Em novembro de 2025, irmã Henriqueta foi uma das premiadas na edição especial Amazônia do “Mulheres Inspiradoras do Ano”.
Irmã Henriqueta era defensora dos direitos humanos e ativista desde 2009. Ao longo de seu trabalho, enfrentou ameaças de morte, estando incluída no programa de proteção para defensores dos direitos humanos há mais de uma década.
Em nota, o Instituto Dom Azcona destacou o legado da irmã e sua dedicação: “Ela abriu mão de ter uma vida pessoal para se doar aos que mais precisavam de ajuda. Empenhada na busca pela justiça e paz, dedicou sua vida a ajudar os outros, principalmente os mais vulneráveis, e ao combate ao abuso e exploração infantojuvenil, tráfico de pessoas, trabalho escravo, trabalho infantil, violência contra mulher e idosos, racismo e discriminação por qualquer meio”.
A nova diretoria, com Mary Cohen na presidência e Rodrigo Leite como vice-presidente, assume a responsabilidade de dar continuidade a esse trabalho essencial, honrando a memória dos fundadores e mantendo viva a luta pelos direitos humanos na região.