Justiça dos EUA ordena libertação de menino de 5 anos detido em centro imigratório
Justiça dos EUA liberta menino de 5 anos detido no Texas

Um juiz federal dos Estados Unidos emitiu uma decisão histórica, ordenando a libertação imediata de Liam Ramos, um menino de apenas 5 anos, e de seu pai, Adrian Ramos. Ambos estavam sob custódia em um centro de detenção de imigrantes localizado no Texas, a mais de 2.000 quilômetros de distância de sua residência em Minneapolis, Minnesota.

Decisão judicial condena prisão como "sede de poder desenfreado"

Na sentença, o juiz Fred Biery não poupou críticas à ação das autoridades, classificando a detenção como um exemplo de "sede de poder desenfreado". Ele determinou que pai e filho devem ser soltos, no máximo, até a próxima terça-feira, dia 3 de fevereiro de 2026.

O magistrado foi incisivo ao apontar as falhas do sistema, escrevendo em sua decisão: "Este caso tem sua origem na busca mal concebida e incompetente do governo em cumprir metas diárias de deportação, mesmo que isso signifique traumatizar crianças".

Foto da criança com touca de coelho causa indignação nacional

A imagem que correu o país mostrava agentes do ICE (Serviço de Imigração e Controle Alfandegário dos EUA) conduzindo o pequeno Liam, que vestia uma touca com orelhas de coelho e carregava uma mochila do Homem-Aranha. A cena despertou uma onda de revolta e debate público sobre as políticas de imigração.

O deputado Joaquin Castro, que visitou o menino no centro de detenção, relatou que Liam apresentava sinais de depressão e recusava-se a comer, evidenciando o trauma psicológico causado pela experiência.

Detenção ocorreu em frente à casa da família em Minneapolis

De acordo com o advogado de defesa da família Ramos, Adrian e Liam estão nos Estados Unidos desde 2024 e cumpriam rigorosamente todos os protocolos de imigração estabelecidos. A prisão aconteceu no dia 20 de janeiro, em frente à sua própria residência, no momento em que o menino retornava da pré-escola.

Este incidente se insere em um contexto mais amplo de cerco do governo do então presidente Donald Trump aos imigrantes no estado de Minnesota. A tensão local já estava elevada após um agente do ICE ter matado a tiros Renée Good, uma cidadã norte-americana e mãe de três filhos, em 7 de janeiro.

A decisão judicial representa um alívio para a família, mas também levanta questões profundas sobre os métodos utilizados nas operações de imigração e o impacto devastador que podem ter sobre as crianças e suas famílias.