Cidadão americano naturalizado é detido quase nu pelo ICE em Minnesota
Um incidente envolvendo agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) em Minnesota tem gerado indignação e preocupação sobre abusos de autoridade na política de imigração do governo Trump. No último domingo (18), ChongLy Thao, um homem de 56 anos nascido no Laos e cidadão americano naturalizado, foi detido de forma violenta em sua casa, vestindo apenas shorts e sandálias Crocs, em temperaturas abaixo de zero.
Detenção traumática em meio à neve
Segundo relatos à Agência Reuters, agentes do ICE arrombaram a porta da residência de Thao em Minnesota com armas em punho. Eles o algemaram e o arrastaram pela neve, impedindo-o de vestir roupas adequadas. A temperatura mais alta registrada em Saint Paul naquele dia foi de -10º Celsius, tornando a situação ainda mais crítica para a saúde e segurança do detido.
Thao descreveu o momento como aterrorizante: "Eu estava rezando. Eu pensava: 'Deus, por favor, me ajude, eu não fiz nada de errado. Por que estão fazendo isso comigo? Sem minhas roupas'". Ele foi levado de volta para casa no mesmo dia, sem explicações ou pedidos de desculpas, conforme relatou à Reuters.
Imagens viralizam e alimentam críticas
Imagens do incidente, mostrando Thao quase sem roupa e coberto por um cobertor, foram divulgadas nas redes sociais. Essas fotos e vídeos aumentaram as preocupações de que agentes do ICE estivessem excedendo sua autoridade, especialmente em meio à repressão à imigração promovida pelo presidente Donald Trump, que já mobilizou cerca de 3.000 agentes na região de Minneapolis.
Em comunicado, a família de Thao classificou o ocorrido como "desnecessário, degradante e profundamente traumatizante". O caso tem sido comparado a táticas policiais agressivas, com críticas de que ações como essas podem inibir a participação cidadã em protestos protegidos pela Constituição.
Justificativa do Departamento de Segurança Interna
O Departamento de Segurança Interna (DHS) emitiu um comunicado defendendo a ação dos agentes. Segundo a porta-voz Tricia McLaughlin, os agentes estavam investigando dois criminosos sexuais condenados no endereço e que um cidadão americano que morava lá se recusou a fornecer suas impressões digitais ou a ser identificado facialmente, sendo por isso detido.
"Ele correspondia à descrição dos alvos. Como em qualquer agência policial, é protocolo padrão manter todos os indivíduos sob custódia em uma casa de operação para a segurança do público e das forças da lei", afirmou McLaughlin. O DHS também publicou cartazes de procurados para dois homens do Laos, descritos como "estrangeiros ilegais criminosos" sujeitos a ordens de deportação.
Contexto legal e político
O incidente ocorre em um momento de tensão política nos Estados Unidos. Na sexta-feira anterior, uma juíza distrital em Minnesota emitiu uma liminar impedindo o governo Trump de adotar táticas agressivas que, segundo ela, "inibiriam" o cidadão comum de participar de protestos constitucionais. A juíza Katherine Menendez citou ações como sacar armas, usar spray de pimenta e detenções intimidatórias.
O governo Trump está recorrendo dessa liminar, enquanto casos como o de Thao destacam os riscos de abusos em operações de imigração. Thao, que veio para os Estados Unidos em 1974 e se naturalizou em 1991, expressou medo de ser deportado para o Laos, onde não tem parentes.
Impacto pessoal e reflexões
Thao relatou que estava cantando karaokê quando ouviu o barulho na porta. Ele e sua família se esconderam em um quarto, onde foram encontrados pelos agentes. Após coletarem suas impressões digitais e tirarem uma foto de seu rosto, ele foi liberado. Em suas palavras: "Viemos para cá com um propósito, certo? ... Para ter um futuro brilhante. Para ter um lugar seguro para viver. Se este lugar vai se tornar a América, o que estamos fazendo aqui? Por que estamos aqui?".
Este caso ressalta questões mais amplas sobre direitos civis, imigração e a atuação de agências federais nos Estados Unidos, especialmente em um ano eleitoral marcado por polarização e protestos.