Trabalhadores da Avibras aprovam negociações para retomada da empresa em 2026
Em uma assembleia realizada na noite desta quinta-feira (23), os trabalhadores da Avibras, a maior indústria bélica do país, aprovaram o início das negociações com a nova diretoria para a retomada das atividades da empresa, que está em processo de recuperação judicial. O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, que representa a categoria, confirmou a decisão e detalhou os próximos passos.
Plano de retomada e impactos trabalhistas
Segundo o sindicato, a nova gestão apresentou um plano ambicioso para que a Avibras volte a funcionar ainda no primeiro trimestre de 2026. Uma das propostas centrais prevê a demissão de todos os funcionários atuais, com o pagamento das verbas rescisórias de forma parcelada. Em seguida, a empresa planeja recontratar 210 trabalhadores a partir de março de 2026 e mais 240 a partir de junho do mesmo ano.
O processo de negociação deve ser concluído até o final de fevereiro, conforme informado pelo sindicato. A dívida trabalhista acumulada inclui 34 meses de salários em atraso, além de multas, verbas rescisórias e outros direitos devidos aos empregados. A Avibras foi contatada para comentar o resultado da assembleia, mas ainda aguarda um posicionamento oficial, e a matéria será atualizada assim que houver novas informações.
Contexto histórico e crise financeira
Fundada em 1961 por engenheiros do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Avibras tem sede em Jacareí e enfrenta uma grave crise financeira há anos. Em março de 2022, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial, alegando dívidas de cerca de R$ 600 milhões. Desde então, a situação tem se agravado, com uma greve dos trabalhadores iniciada em setembro de 2022 que ultrapassou mil dias de paralisação em 2025.
Em agosto de 2025, a Avibras anunciou a entrada de um novo acionista majoritário, como parte do plano de recuperação judicial aprovado em maio do ano anterior. Entre as atribuições do novo controlador estão a verificação de possíveis inconsistências nos relatórios mensais da empresa e a negociação de um novo acordo coletivo com os trabalhadores. Na época, o sindicato informou que os funcionários acumulavam cerca de 28 meses de salários atrasados, número que agora subiu para 34 meses.
A retomada das atividades representa uma esperança para a empresa e seus empregados, mas os desafios são significativos, exigindo negociações cuidadosas para equilibrar a recuperação financeira e os direitos trabalhistas.