Petrobras anuncia corte de 5,2% no preço da gasolina para refinarias a partir de terça
Petrobras reduz preço da gasolina em 5,2% para refinarias

Petrobras reduz preço da gasolina para refinarias em 5,2% a partir desta terça-feira

A Petrobras anunciou nesta segunda-feira, 26 de janeiro, um corte de 5,2% no preço da gasolina vendida por suas refinarias. O novo valor, que entra em vigor nesta terça-feira, 27 de janeiro, será de R$ 2,57 por litro, representando uma queda de R$ 0,14 em relação ao preço atual. O preço do diesel, no entanto, não sofrerá alteração.

Impacto nos preços nas bombas e contexto do ICMS

Esta medida da estatal pode trazer algum alívio aos preços nas bombas, que vinham sendo pressionados desde o início do ano pelo aumento de R$ 0,10 por litro na alíquota do ICMS (Imposto de Circulação sobre Mercadoria e Serviços). Esse reajuste tributário foi integralmente repassado ao consumidor, contribuindo para a elevação dos custos.

Segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), o preço médio da gasolina no país subiu exatos R$ 0,10 por litro entre os dias 28 de dezembro e 17 de janeiro, alcançando R$ 6,32 por litro. A pesquisa de preços da última semana ainda não foi divulgada, mas o cenário indica uma pressão contínua sobre o bolso do consumidor.

Reajuste do ICMS e justificativas dos estados

Desde 2022, o ICMS é unificado no país e reajustado uma vez por ano pelos estados. Em 2026, a alíquota subiu para R$ 1,57 por litro, mesmo diante de quedas anteriores no preço da gasolina nas refinarias.

O Comsefaz (Comitê Nacional de Secretarias Estaduais de Fazenda) alegou no fim de 2025 que o reajuste do imposto é calculado com base na variação do preço de bomba, que não teria acompanhado os cortes nas refinarias. Pelo contrário, o comitê destacou que "o preço da gasolina se elevou de R$ 6,18, em janeiro, para R$ 6,20, em outubro, um acréscimo de 0,3%".

Segundo o Comsefaz, "a principal razão foi o aumento de 31,3% no valor da margem de distribuição e revenda", indicando que outros fatores além do preço das refinarias influenciam o custo final para o consumidor.

Expectativas do mercado e análise de especialistas

O mercado já aguardava alguma reação da Petrobras, uma vez que a empresa vinha operando com a gasolina acima das cotações internacionais há semanas. Esse cenário reflete a queda dos preços do petróleo nos últimos meses.

Na abertura do mercado desta segunda-feira, por exemplo, o produto em suas refinarias custava R$ 0,21 mais caro do que a paridade de importação medida pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis).

Analistas do Itaú BBA comentaram que "desde novembro, a diferença entre o preço doméstico da gasolina e a paridade de importação está maior e mais persistente, o que levou investidores a anteciparem que uma revisão poderia ocorrer no curto prazo". Eles consideram, porém, que o corte anunciado ficou abaixo do esperado, deixando o preço da Petrobras cerca de 5% acima da paridade de importação.

Projeções para a inflação e impacto econômico

O economista da ASA, Leonardo Costa, estima que o corte tenha um impacto de seis pontos percentuais no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor-Amplo), o índice oficial de inflação do país. "Com isso, nossa projeção para o IPCA do mês recua de 0,51% para 0,45%", afirmou.

Para 2026, a ASA mantém sua estimativa de 4% para o IPCA, pois já considerava quedas nos preços de combustíveis ao longo do ano. Por outro lado, a Warren Investimentos diz que não esperava o corte e, por isso, reduziu sua projeção de inflação para 2026 de 4,5% para 4,4%.

Posicionamento da Petrobras e histórico de reduções

Em nota, a estatal afirmou que, desde dezembro de 2022, reduziu o valor de venda da gasolina para as distribuidoras em R$ 0,50 por litro. "Considerando a inflação do período, esta redução é de 26,9%", destacou a Petrobras, reforçando seu compromisso com a moderação de preços no setor de combustíveis.