IBGE demite coordenadora do PIB em meio a polêmica sobre revisão de contas públicas
IBGE demite coordenadora do PIB em meio a polêmica

IBGE demite coordenadora do PIB em meio a polêmica sobre revisão de contas públicas

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou, na noite de segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, uma mudança significativa em sua estrutura de liderança técnica. A servidora Rebeca Palis, que ocupava há 11 anos o cargo de coordenadora de Contas Nacionais – responsável pelo cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) – foi substituída por Ricardo Montes de Moraes.

Momento delicado para a economia brasileira

A troca ocorre em um período particularmente sensível, pois o IBGE está imerso em um processo de revisão das contas públicas nacionais. Esta iniciativa visa atualizar as estatísticas oficiais para refletir melhor as transformações econômicas recentes, incluindo o avanço digital e as questões ambientais.

Em comunicado oficial, o instituto agradeceu a Palis por sua dedicação e contribuições ao longo de mais de uma década, desejando sucesso ao novo coordenador. O IBGE afirmou que "nos próximos dias, será definido de forma dialogada o cronograma de transição" entre os profissionais.

Críticas e alertas do sindicato dos servidores

Entretanto, a saída de Rebeca Palis não passou despercebida e acendeu um alerta entre os servidores da autarquia. O Sindicato Nacional dos Trabalhadores do IBGE (ASSIBGE-SN) já havia manifestado preocupação com as direções tomadas pela atual gestão.

Em carta divulgada em janeiro de 2025, o sindicato alertou sobre "graves ameaças ao IBGE" e ao que chamou de "soberania geoestatística brasileira". O documento criticou especificamente a criação de uma fundação de direito privado para gerir a inovação tecnológica no órgão, medida implementada sem consulta ampla.

"Essa medida foi implementada sem consulta aos quadros técnicos, à comunidade científica e à sociedade civil, configurando um precedente perigoso para a interferência de interesses privados no sistema geoestatístico nacional", destacou a carta sindical.

Contexto de tensões internas

A revisão das contas públicas já era um ponto de atrito há aproximadamente um ano, gerando rusgas entre servidores e a gestão liderada por Marcio Pochmann, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A proposta de modernização, embora tecnicamente justificada, levantou questões sobre autonomia e transparência.

O IBGE ainda não detalhou publicamente quais serão as mudanças específicas aplicadas na metodologia de cálculo, deixando um vácuo de informações que alimenta a desconfiança. A nomeação de Ricardo Montes de Moraes, neste cenário, é vista com cautela por setores que temem uma possível politização ou influência externa sobre dados econômicos cruciais para o país.

A troca na coordenação do PIB, portanto, vai além de uma simples mudança de pessoal; ela simboliza um momento de teste para a independência e credibilidade do principal órgão estatístico do Brasil, em meio a debates sobre modernização, soberania e a confiança pública nas instituições.