Grupo Fictor pede recuperação judicial após crise financeira e tentativa fracassada de comprar Banco Master
Fictor pede recuperação judicial após tentativa de comprar Banco Master

Grupo Fictor busca recuperação judicial após tentativa fracassada de compra do Banco Master

O braço financeiro do Grupo Fictor, que recentemente tentou adquirir o Banco Master, formalizou um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo. A medida afeta duas empresas do conglomerado: Fictor Holding e Fictor Invest, que atuam desde 2007 nos setores de alimentos, infraestrutura e serviços financeiros.

Crise de liquidez e dívidas bilionárias

Na prática, o grupo solicita à Justiça mais prazo para reorganizar suas dívidas com credores, suspender cobranças e evitar a falência, mantendo-se em atividade. Em nota oficial, a Fictor revelou que o valor total dos compromissos financeiros alcança aproximadamente R$ 4 bilhões, solicitando a suspensão de execuções e bloqueios por um período inicial de 180 dias.

Segundo a empresa, o pedido de recuperação judicial é uma consequência direta de uma crise de liquidez, situação em que a instituição não possui condições para honrar seus compromissos financeiros. O grupo atribui parte dos problemas a especulações de mercado, exacerbadas pela liquidação do Banco Master.

Tentativa de compra e contexto do Banco Master

Em 17 de novembro, um dia antes da liquidação do Banco Master, a Fictor divulgou um comunicado afirmando que liderava um consórcio com investidores dos Emirados Árabes Unidos para adquirir o banco. No entanto, com o anúncio da liquidação em 18 de novembro, a proposta foi imediatamente suspensa.

Na época, a Polícia Federal já investigava o Banco Master por negociação de créditos fraudulentos. Conforme reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, em novembro de 2024, o banqueiro Daniel Vorcaro comprometeu-se a adotar medidas para recompor a saúde financeira do banco em seis meses, até maio de 2025, prazo determinado pelo então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Monitoramento do Banco Central e insuficiência de medidas

Com a entrada de Gabriel Galípolo na presidência do Banco Central em janeiro de 2025, a instituição continuou a monitorar os negócios do Master, aguardando uma proposta de recuperação dentro do prazo estabelecido. Em abril de 2025, o BC informou a Daniel Vorcaro que as ações adotadas até então – incluindo negociações com carteiras de crédito e a busca por novos sócios – eram insuficientes para retomar a capacidade financeira do conglomerado.

Este cenário contribuiu para o agravamento da situação do Grupo Fictor, culminando no pedido de recuperação judicial como uma estratégia para reestruturar suas operações e enfrentar os desafios financeiros.