CDBs pós-Master: como estão as taxas e o que avaliar antes de investir
Após episódios recentes no setor financeiro, investidores passam a olhar além da rentabilidade e reforçam a análise de risco, liquidez e solidez dos emissores. Com a taxa de juros ainda elevada e a renda fixa novamente no centro das atenções, os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) voltaram a ganhar espaço nas carteiras dos investidores. Mas, apesar da popularidade, especialistas alertam que o produto está longe de ser automaticamente sinônimo de segurança, e que olhar apenas para a rentabilidade pode ser um erro.
O risco reside no emissor, não no produto
Segundo Lais Costa, analista da Empiricus Research, o ponto central ao investir em CDB não é o produto em si, mas quem está por trás dele. “O CDB é um produto de crédito. O que todo investidor precisa saber é qual risco de crédito esse emissor tem, ou seja, qual a capacidade de pagamento daquela instituição”, afirma. Essa análise envolve avaliar o balanço do banco emissor, sua geração de caixa, nível de endividamento, margens operacionais e cronograma de pagamento das dívidas.
Para a analista, existe um equívoco comum no mercado ao classificar o CDB como um investimento naturalmente conservador. “Não é o CDB que é seguro ou não, é o emissor daquele CDB que pode ter mais ou menos risco de crédito. É um mito dizer que CDB é, por definição, um investimento de baixo risco”, diz.
Perfil do investidor: conservador ou não?
Na prática, o CDB costuma aparecer com mais frequência nas carteiras conservadoras, mas isso não significa que o produto seja exclusivo desse perfil. “O que acontece é que o investidor conservador tem uma alocação maior em crédito e, por isso, tende a ter mais CDBs na carteira. Mas isso não deveria levar à conclusão de que o instrumento é indicado apenas para esse perfil”, explica Lais. Segundo ela, dependendo do risco de crédito do emissor, o CDB pode fazer sentido em qualquer perfil de investidor, desde que bem analisado.
A visão é compartilhada por Antonio Patrus, diretor da Bossa Invest, que destaca a importância de avaliar a relação entre prazo, liquidez e risco antes da aplicação. “Não basta olhar apenas a taxa oferecida. É essencial entender se o título tem liquidez diária ou vencimento fechado, qual é a saúde financeira do banco emissor e como aquele CDB se encaixa no objetivo do investidor”, afirma.
Limites do FGC e importância da liquidez
Embora o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ofereça proteção de até 250 mil reais por CPF e instituição, ele não elimina todos os riscos. “O risco de crédito do banco emissor existe e varia bastante entre instituições. O FGC reduz significativamente o risco, mas não resolve tudo, especialmente em aplicações acima do limite garantido ou em prazos longos”, explica Patrus.
Outro ponto frequentemente subestimado é a liquidez. Muitos CDBs oferecem taxas mais elevadas justamente porque exigem que o investidor mantenha o capital aplicado até o vencimento. Isso pode ser um problema se o investidor precisar resgatar o dinheiro antes do prazo combinado, enfrentando possíveis penalidades ou perdas.
Como ficaram as taxas de CDB após o caso Banco Master
Após episódios recentes envolvendo instituições financeiras, como o Banco Master, o mercado não passou por um choque sistêmico, mas houve uma precificação mais seletiva do risco, segundo os especialistas. Para Lais Costa, não houve uma mudança estrutural nas taxas de forma generalizada. “Não houve um movimento sistêmico, por isso não houve alteração relevante”, avalia.
Já Patrus destaca que a diferença entre emissores ficou mais evidente. “Bancos mais sólidos tendem a oferecer percentuais mais próximos do CDI, enquanto instituições médias e pequenas precisam pagar prêmios maiores para atrair investidores”, diz. Isso significa que, em um cenário pós-Master, a análise cuidadosa do emissor se tornou ainda mais crítica para identificar oportunidades e evitar armadilhas.
Em resumo, os investidores devem considerar os seguintes pontos ao avaliar CDBs:
- Análise do emissor: Verifique a saúde financeira do banco, incluindo balanço, endividamento e capacidade de pagamento.
- Liquidez: Entenda se o título permite resgate antecipado e quais as condições para isso.
- Limites do FGC: Lembre-se de que a garantia é limitada a 250 mil reais por CPF e instituição.
- Taxas: Compare as ofertas, mas não se deixe levar apenas pelos percentuais mais altos sem considerar os riscos.
- Objetivo do investimento: Alinhe o CDB com seus objetivos financeiros e perfil de risco.
Essas práticas ajudam a construir uma carteira mais segura e alinhada com as necessidades individuais, especialmente em um mercado que exige cada vez mais discernimento dos investidores.