Banco Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa no dia da liquidação pelo BC
No momento em que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, a instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro apresentava uma situação financeira crítica, com apenas 4 milhões de reais disponíveis em caixa. Essa informação foi divulgada pelo diretor de fiscalização do BC, Ailton Aquino, durante um depoimento prestado à Polícia Federal no final de dezembro.
Quantia irrisória para um banco de grande porte
De acordo com as explicações de Aquino, um banco do tamanho do Master, que possuía cerca de 80 bilhões de reais em ativos, deveria manter uma liquidez mínima de aproximadamente 3 bilhões de reais. A liquidez, no jargão financeiro, refere-se aos recursos imediatamente acessíveis, como capital em caixa e investimentos em títulos de rápida conversão.
O diretor do BC destacou que, naquele período, o foco das autoridades era a crise de liquidez que assolava o Banco Master. A instituição já acumulava dívidas bilionárias e enfrentava sérias dificuldades para honrar seus compromissos financeiros, especialmente no atendimento aos clientes que solicitavam o resgate de seus investimentos em CDBs.
Impacto nos clientes e resgate histórico pelo FGC
Com a quebra do banco, aproximadamente 1,6 milhão de clientes ficaram desamparados, necessitando do socorro do Fundo Garantidor de Crédito. O FGC deverá pagar mais de 40 bilhões de reais em indenizações aos prejudicados, marcando esse como o maior resgate financeiro já realizado no Brasil.
Contraste com a vida luxuosa de Vorcaro
A quantia exígua encontrada no caixa do Banco Master no dia da liquidação entra em forte contraste com o estilo de vida ostentatório de Daniel Vorcaro. Para ilustrar esse paradoxo, basta mencionar que os 4 milhões de reais não seriam suficientes para custear sequer a festa de quinze anos da filha do banqueiro.
Realizada em 2023, a celebração contou com a presença de 500 convidados e artistas internacionais, como o DJ Alok, e teve um orçamento estimado em 20 milhões de reais. Esse evento de luxo exemplifica a disparidade entre a situação financeira do banco e os gastos pessoais de seu controlador.