Trump processa JPMorgan e pede US$ 5 bilhões por suposta discriminação política
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu levar uma disputa bancária de cinco anos aos tribunais, em um caso que mistura finanças, política e acusações de discriminação. Na quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, ele entrou com uma ação judicial contra o JPMorgan Chase e seu diretor-presidente, Jamie Dimon, exigindo uma indenização de US$ 5 bilhões por suposta discriminação política.
O episódio que deu origem ao processo
O processo se baseia em um evento ocorrido em fevereiro de 2021, poucas semanas após Trump deixar a Casa Branca. Na época, o maior banco americano informou que encerraria, em um prazo de 60 dias, diversas contas pessoais e empresariais mantidas pelo então ex-presidente, algumas delas abertas há décadas.
Segundo a defesa de Trump, o banco não apresentou justificativas formais para o fechamento das contas nem ofereceu direito de contestação. A alegação central é que a decisão refletiu o ambiente político turbulento do pós-eleição e os desdobramentos da invasão do Capitólio, ocorrida em janeiro daquele ano.
Resposta do JPMorgan e tensões recentes
O JPMorgan rejeita veementemente as acusações de discriminação política. Em nota oficial, o banco afirmou que não fecha contas por motivos políticos ou religiosos, mas sim quando identifica riscos legais ou regulatórios associados a determinados clientes.
Jamie Dimon, citado nominalmente no processo, já declarou ao Congresso americano que exigências regulatórias cada vez mais pesadas acabam levando instituições financeiras a se afastar de clientes considerados controversos.
O clima entre as partes ficou ainda mais tenso na semana passada, quando Trump irritou o setor bancário com a proposta de impor um teto de 10% aos juros de cartões de crédito, um mercado no qual o JPMorgan é um dos principais protagonistas. O banco reagiu de forma contundente, afirmando que "combateria qualquer esforço para implementar tal limite".
Contexto político e financeiro
Este processo judicial ocorre em um momento de alta polarização política nos Estados Unidos, onde questões financeiras frequentemente se entrelaçam com disputas partidárias. A ação de Trump contra uma das maiores instituições financeiras do país pode ter implicações significativas para o setor bancário e para as relações entre o poder político e o mercado financeiro.
Especialistas em direito financeiro observam que casos como este podem estabelecer precedentes importantes sobre como instituições bancárias lidam com clientes politicamente expostos e em que circunstâncias podem encerrar contas sem violar direitos constitucionais.