Tempestade nos EUA gera impacto na produção de energia e pressiona preços globais
A forte tempestade que atingiu regiões produtoras de energia nos Estados Unidos acendeu um alerta significativo nos mercados globais, com potenciais efeitos sobre os preços do petróleo e do gás natural. No programa Mercado, da Veja, o economista Bruno Lavieri avaliou que a paralisação parcial da produção configura um choque negativo de oferta, um cenário que pode influenciar a economia internacional no curto prazo.
Choque de oferta e pressão nos preços internacionais
Segundo Lavieri, cerca de 250 mil barris por dia deixaram de ser produzidos devido às condições climáticas adversas. Esse número, embora possa parecer modesto em escala global, é suficiente para gerar insegurança nos mercados e pressionar os preços internacionais. O economista explica que o movimento é típico desse tipo de evento: com menos oferta disponível, os preços tendem a reagir de forma imediata.
Mesmo com alguma redução momentânea do consumo — resultante de apagões, cancelamento de voos e paralisações — o efeito líquido ainda é de aperto na oferta. Isso pode se traduzir em alta do petróleo e do gás natural enquanto a tempestade persistir, criando um cenário de volatilidade para investidores e consumidores.
Impacto temporário e normalização esperada
A boa notícia, conforme destacado por Lavieri, é que historicamente esse tipo de impacto costuma ser passageiro. Com a normalização do clima, a produção, a oferta e os preços tendem a voltar ao patamar anterior, aliviando as pressões nos mercados. No entanto, o economista alerta para um risco maior: um cenário de alta prolongada do gás natural, que poderia encarecer a produção industrial e pressionar preços globalmente de forma mais sustentada.
Traduzindo o economês: no curto prazo, trata-se de um ruído temporário; só se torna um problema significativo se a situação durar mais do que o previsto, exigindo atenção contínua dos agentes econômicos.
Efeitos limitados no Brasil devido à regulação de preços
Para o Brasil, o impacto deve ser limitado, segundo a análise apresentada. Os Estados Unidos consomem grande parte do que produzem, o que reduz o efeito direto sobre o mercado internacional. Além disso, no Brasil, os preços de combustíveis funcionam com um amortecedor importante: são regulados, o que costuma atrasar o repasse da volatilidade externa e proteger os consumidores locais de flutuações abruptas.
Em resumo, enquanto a tempestade nos EUA gera um choque de oferta no petróleo e gás, pressionando preços globais no curto prazo, o Brasil deve experimentar um impacto mitigado, graças a fatores como a regulação de preços e a dinâmica de consumo norte-americana.