Mundo busca diversificar moedas e reduzir dependência do dólar, dizem economistas
Em um cenário geopolítico cada vez mais volátil, os países estão acelerando um movimento de diversificação de suas reservas internacionais, buscando reduzir a dependência global do dólar. Especialistas destacam que esse processo, impulsionado por eventos recentes, não se trata apenas de uma "desdolarização", mas sim de uma estratégia pragmática para mitigar riscos.
Contexto geopolítico e sanções à Rússia
Os arroubos geopolíticos de figuras como Donald Trump, com crises envolvendo a Groenlândia e a Europa, têm contribuído para acelerar essa tendência. No entanto, o ponto de virada mais significativo ocorreu após as sanções impostas à Rússia, quando Moscou perdeu acesso ao sistema financeiro internacional e às suas reservas em dólar. Esse episódio acendeu um alerta nos bancos centrais de todo o mundo, evidenciando os perigos de concentrar reservas em uma única moeda.
Diversificação como estratégia de proteção
Para Luis Ferreira, da FG Private Wealth Management, a lição foi clara: a concentração de reservas em dólar se tornou um risco geopolítico considerável. Em resposta, os países têm adotado uma abordagem de espalhar seus caixas entre diferentes moedas e ativos. O ouro tem se destacado nesse cenário, com sua valorização recente refletindo exatamente essa busca por proteção fora do circuito tradicional do dólar.
A lógica por trás dessa diversificação não é ideológica, mas sim pragmática. O objetivo principal é garantir o acesso às reservas mesmo em cenários adversos, como sanções internacionais, conflitos armados ou rupturas políticas. Essa estratégia visa assegurar a estabilidade financeira e a autonomia econômica diante de incertezas globais.
Movimento global e ritmos variados
Europa, Ásia e economias emergentes estão caminhando na mesma direção, embora cada um em seu próprio ritmo. Os mercados emergentes, em particular, têm mostrado um crescimento acentuado nessa busca por alternativas ao dólar, buscando fortalecer suas posições econômicas e reduzir vulnerabilidades.
Essa tendência global de diversificação de moedas e ativos representa uma mudança significativa no panorama financeiro internacional, com implicações profundas para o comércio, investimentos e relações geopolíticas nos próximos anos.