Mercado reage com otimismo à indicação de Kevin Warsh para presidente do Fed por Trump
Mercado vê com bons olhos novo presidente do Fed indicado por Trump

Mercado financeiro celebra indicação de Kevin Warsh para presidir o Federal Reserve

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, através de uma publicação na rede social Truth Social, a nomeação de Kevin Warsh como o novo presidente do Federal Reserve, o Banco Central americano. A escolha foi imediatamente bem recebida pelo mercado, que enxerga em Warsh um perfil técnico, ortodoxo e previsível, fatores que contribuíram para uma reação positiva nos investimentos.

Perfil técnico e credibilidade institucional

Segundo analistas consultados, a indicação de Kevin Warsh é vista como uma das melhores opções entre os nomes cotados para assumir o cargo. George Sales, professor de mercado financeiro na FIPECAFI, destaca que Warsh é considerado um nome técnico e ortodoxo, especialmente quando comparado a alternativas mais políticas ou heterodoxas que circulavam no entorno de Trump.

Warsh serviu no conselho do Fed entre 2006 e 2011, período que incluiu a crise financeira de 2008, e possui experiência no Morgan Stanley. "O nome traz credibilidade institucional, o que pode acalmar o temor de uma politização extrema. Por outro lado, há receio sobre o quanto ele cederá às pressões de Donald Trump por juros baixos", afirma Sales.

Visão hawkish e foco no combate à inflação

William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, reforça que a escolha de Kevin Warsh é positiva, destacando seu posicionamento forte e crítico em relação ao papel do Banco Central em sustentar o crescimento econômico. Na visão de Alves, Warsh tem uma abordagem voltada para a proteção da moeda.

"Isso faz o mercado interpretá-lo como uma pessoa com a visão dura, hawkish. O que reforça a tese de que ele deve respeitar o ciclo de juros no combate à inflação", explica Alves. Essa perspectiva é compartilhada por outros especialistas, que veem em Warsh um compromisso com a estabilidade monetária.

Limitações do cargo e expectativas de mercado

Gianluca Di Mattina, especialista em investimentos da Guardian Capital, argumenta que a hipótese de Kevin Warsh permitir cortes de juros de forma abrupta não se sustenta do ponto de vista técnico e institucional. "Mesmo como chairman, ele é apenas um voto dentro do FOMC, e as decisões seguem sendo colegiadas", afirma Di Mattina.

Ele acrescenta que o poder real do presidente do Fed está na condução da comunicação, no enquadramento do debate e na priorização da agenda do Comitê. Atualmente, Kevin Warsh trabalha como professor na Stanford Graduate School of Business e conduziu pesquisas em economia e finanças, além de ter elaborado um Relatório Independente para o Banco da Inglaterra com propostas de reformas na política monetária do Reino Unido.

Impacto nas taxas de juros e perspectivas futuras

Ao assumir o cargo, Kevin Warsh se tornará o mais jovem presidente do Fed, aos 35 anos. Apesar de seu perfil considerado mais duro, o consenso entre os analistas é que a taxa de juros dos Estados Unidos deve recuar 0,5 ponto percentual até o fim de 2026.

Isso significa que o Fed Funds deve sair da faixa entre 3,5% e 3,75% para a faixa de 3% a 3,25% ao ano. Portanto, mesmo com um presidente mais rigoroso, o mercado ainda espera um recuo nas taxas de juros do banco central americano, refletindo uma combinação de fatores econômicos e decisões colegiadas.