Os mercados financeiros globais enfrentam uma forte turbulência nesta terça-feira, 20 de janeiro de 2026, após uma escalada nas tensões geopolíticas envolvendo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e os principais aliados europeus. A instabilidade foi impulsionada por ameaças comerciais e pela reação do continente europeu, maior detentor da dívida pública americana.
O epicentro da crise: Groenlândia, Gaza e uma recusa francesa
A crise teve início com a tentativa de Donald Trump de formar um "Conselho da Paz" paralelo à ONU para negociar o futuro de Gaza. O comitê, que incluiria Vladimir Putin, Javier Milei, Recep Erdogan e o presidente Lula, teve a adesão imediata apenas do líder turco. O presidente francês, Emmanuel Macron, teria recusado o convite para participar do grupo.
A resposta de Trump à negativa de Macron foi imediata e agressiva. O líder americano ameaçou impor tarifas de 200% sobre as importações de vinhos e espumantes franceses. Além disso, Trump tornou pública uma mensagem privada de Macron, que convidava o americano para um encontro, em uma clara retaliação diplomática.
Essa nova ameaça se soma a um imposto adicional de 10% já anunciado por Trump em meio às suas tentativas de "negociação" pela compra ou controle da Groenlândia, um território autônomo dinamarquês. A postura imperialista e unilateral do presidente americano tem gerado profunda irritação entre os líderes europeus.
A retaliação europeia: uma bomba de US$ 8 trilhões
Diante das provocações, a Europa considerou uma resposta econômica de grande magnitude. Autoridades do continente ameaçaram liquidar cerca de US$ 8 trilhões em títulos da dívida pública americana que estão sob o controle de países europeus. Esta medida representaria um golpe severo na economia dos EUA, uma vez que a Europa é seu maior financiador.
Essa ameaça concreta de venda maciça de ativos é a principal explicação para a liquidação de ativos de risco observada nos mercados nesta manhã. Investidores em todo o mundo reagiram ao temor de uma desestabilização financeira em larga escala, movimentando seus recursos para posições mais seguras.
Davos e a agenda econômica em meio ao caos
A turbulência nos mercados ocorre paralelamente à reunião do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. Enquanto líderes globais discutem a economia mundial, a realidade impõe um cenário de alta volatilidade. A agenda econômica desta terça-feira é considerada relativamente fraca, com destaque para a divulgação do balanço trimestral da Netflix, após o fechamento do mercado.
Outros indicadores programados para o dia incluem:
- Índice de Preços ao Produtor (PPI) da Alemanha para dezembro.
- Índice ZEW de expectativas econômicas da Alemanha.
- Pesquisa semanal ADP de emprego no setor privado dos EUA.
Além da Netflix, empresas como 3M e United Airlines também divulgam seus resultados financeiros, em um dia que ficará marcado mais pela geopolítica do que pelos fundamentos econômicos tradicionais.
A situação expõe a fragilidade da ordem global e a dependência financeira mútua entre os Estados Unidos e a Europa. As ameaças de Trump, inicialmente vistas como bravatas, agora mostram seu poder real de desestabilizar o sistema financeiro internacional, com consequências ainda imprevisíveis para o crescimento econômico mundial.