Argentina celebra segundo ano consecutivo de superávit comercial e fiscal em 2025
O Instituto Nacional de Estatísticas (Indec) da Argentina divulgou nesta terça-feira (20) que a balança comercial do país registrou um superávit de US$ 11,286 bilhões em 2025. Este resultado marca o segundo ano consecutivo em que as exportações argentinas superam as importações, seguindo um anúncio anterior do governo sobre superávit fiscal também pelo segundo ano seguido.
Detalhes do superávit comercial argentino
De acordo com o relatório oficial, a Argentina exportou bens no valor de US$ 87,077 bilhões e importou US$ 75,791 bilhões em 2025. Embora seja um saldo positivo, o superávit comercial de 2025 ficou abaixo do recorde histórico de 2024, que foi de US$ 18,899 bilhões, impulsionado por condições excepcionais como a recuperação agropecuária pós-seca.
As exportações argentinas cresceram 9,3% em comparação com o ano anterior, com destaque para:
- Produtos primários: aumento de 21,2%
- Manufaturas de origem agropecuária: crescimento de 2,7%
- Manufaturas de origem industrial: alta de 6%
O Brasil se mantém como o principal parceiro comercial da Argentina, com exportações argentinas para o país somando US$ 12,771 bilhões e importações chegando a US$ 18,424 bilhões.
Superávit fiscal e políticas de ajuste
Paralelamente, a Argentina encerrou 2025 com superávit nas contas públicas pelo segundo ano consecutivo, um feito não visto desde 2008. O governo atribui este resultado à política de "déficit zero" implementada pelo presidente ultraliberal Javier Milei.
O ministro da Economia, Luis Caputo, informou que o superávit primário alcançou 1,4% do PIB, enquanto o superávit fiscal ficou em 0,2% do PIB. Estes números representam um leve recuo em relação a 2024, quando os índices foram de 1,8% e 0,3%, respectivamente.
Em sua conta no X, Milei comemorou: "A âncora fiscal (déficit zero) é e será uma política de Estado". O ajuste fiscal foi sustentado por medidas rigorosas, incluindo:
- Redução de subsídios governamentais
- Congelamento de orçamentos em áreas como educação, saúde e pesquisa científica
- Corte de gastos em obras públicas
Caputo prometeu que a ordem nas contas públicas permitirá "continuar devolvendo recursos ao setor privado na forma de redução de impostos".
Contexto social e reações políticas
Apesar dos indicadores econômicos positivos, a Argentina enfrenta desafios sociais significativos. A pobreza intensificou-se no primeiro semestre de 2024, atingindo 52,9% da população. No entanto, houve uma melhora no primeiro semestre de 2025, com o percentual caindo para 31%. Dados do segundo semestre de 2025 ainda aguardam divulgação.
Em um gesto simbólico, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um post na rede social Truth Social elogiando o líder argentino, ao qual Milei reagiu positivamente, destacando o reconhecimento internacional de suas políticas econômicas.
Este cenário econômico misto – com avanços fiscais e comerciais, mas persistentes questões sociais – define o atual momento da Argentina sob a administração de Javier Milei, que busca consolidar um novo paradigma de gestão pública baseado no rigor orçamentário.