Will Bank é liquidado pelo Banco Central nesta quarta-feira
O Will Bank teve sua liquidação decretada pelo Banco Central na manhã desta quarta-feira (21), após já estar sob intervenção. De acordo com dados do próprio BC, em relatório de setembro de 2025, o banco digital possui R$ 6,3 bilhões investidos em Certificados de Depósito Bancário (CDBs). Essa quantia significativa é elegível para ressarcimento através do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que atua como um mecanismo de proteção para depositantes e investidores em situações de crise financeira.
Proteção do FGC e processo de ressarcimento
O FGC é uma associação privada, sem fins lucrativos, que integra o Sistema Financeiro Nacional. Sua função principal é garantir a estabilidade do sistema financeiro, prevenir crises bancárias e proteger os recursos de correntistas e investidores. Na prática, funciona como um seguro, assegurando que valores depositados ou investidos em uma instituição financeira permaneçam protegidos em caso de dificuldades.
Os saldos são protegidos até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira. No caso dos investidores, a cobertura do FGC abrange aplicações como:
- CDB e Recibo de Depósito Bancário (RDB)
- Letra de Crédito Imobiliário (LCI)
- Letra de Crédito do Agronegócio (LCA)
É importante destacar que o FGC só atua em situações de intervenção ou liquidação de uma instituição financeira. A indenização considera o valor investido somado aos rendimentos acumulados até a data da liquidação, sempre respeitando o teto de R$ 250 mil.
Andamento dos ressarcimentos e caso Banco Master
Desde terça-feira (20), os clientes que tinham CDBs no Banco Master começaram a receber os pedidos de ressarcimento. Segundo o FGC, os pagamentos do Banco Master tiveram início na segunda-feira (19). Até o momento, cerca de 600 mil credores já realizaram o pedido, sendo que 400 mil concluíram todo o trâmite. O fundo estima que aproximadamente 800 mil credores do Banco Master tenham direito ao ressarcimento.
Para solicitar o reembolso, os investidores devem seguir um passo a passo específico:
- Baixar o aplicativo do FGC e completar o cadastro com dados pessoais
- Solicitar o pagamento da garantia (etapa disponível após envio da lista de credores pelo liquidante)
- Informar uma conta bancária de titularidade para receber os recursos
- Realizar validação biométrica e enviar documentos solicitados
O FGC informa que, após a assinatura do termo de solicitação, a liberação costuma ocorrer em até 48 horas úteis, desde que os dados estejam corretos. Contudo, em operações recentes, o período entre a decretação da liquidação e o pagamento aos investidores variou entre 14 e 40 dias.
Contexto do Banco Master e investigações
O Banco Master teve sua liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central em novembro do ano passado. Essa medida ocorre quando uma instituição financeira não tem mais condições de operar, sendo encerradas suas atividades por um liquidante que vende os bens e paga os credores na ordem prevista em lei.
O banco já enfrentava risco de falência devido ao alto custo de captação e a investimentos considerados arriscados. Um dos casos mais conhecidos era a emissão de títulos de renda fixa, os CDBs, que pagavam até 40% acima da taxa média do mercado.
As investigações apontam que o Banco Master emitiu R$ 50 bilhões em CDBs prometendo juros acima das taxas de mercado, sem comprovar liquidez para honrar esses compromissos no futuro. Para criar uma impressão de solvência, o banco aplicou parte desses recursos em ativos que não existiam, comprando créditos de uma empresa chamada Tirreno.
O presidente do banco, Daniel Vorcaro, foi preso em uma operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras no Master. Na última semana, uma segunda fase da operação incluiu buscas em endereços ligados a Vorcaro e parentes, além de outros envolvidos como o empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur.
Considerações finais e orientações
Para eventuais dúvidas, o FGC orienta que correntistas e investidores entrem em contato pelo e-mail atendimento.credores@fgc.org.br. É crucial ressaltar que valores que ultrapassarem o limite de cobertura do FGC, de R$ 250 mil, permanecerão sujeitos ao processo de liquidação do banco. Nessa situação, o credor passa a integrar a massa falida como credor quirografário, sem garantia de recebimento dos valores excedentes.
O caso do Will Bank reforça a importância dos mecanismos de proteção do sistema financeiro brasileiro, enquanto o episódio do Banco Master evidencia os riscos associados a investimentos com retornos excessivamente acima do mercado. Ambos os casos demonstram a atuação dos órgãos reguladores na preservação da estabilidade financeira do país.