Setor financeiro brasileiro projeta aceleração econômica para 2026, segundo estudo da PwC
Uma pesquisa setorial da 29ª Global CEO Survey, realizada pela consultoria PwC e divulgada nesta quinta-feira, 29 de janeiro de 2026, revela que a maioria dos executivos do setor financeiro nacional mantém expectativas positivas para a economia brasileira no próximo ano. Os dados indicam um cenário de otimismo moderado, embora com ajustes nas projeções de curto prazo para as próprias empresas.
Otimismo acima da média nacional
De acordo com o recorte setorial do estudo, aproximadamente 68% dos executivos do setor financeiro esperam uma aceleração da economia brasileira em 2026, quando comparado ao desempenho projetado para 2025. Esse percentual supera a média dos CEOs brasileiros de todos os setores, que se situa em 60%, demonstrando uma confiança mais elevada entre os líderes financeiros.
Durante coletiva de imprensa, o sócio e líder para o setor de serviços financeiros da PwC Brasil, Lindomar Schmoller, foi questionado sobre a divergência entre essa perspectiva e as projeções de mercado, que preveem uma desaceleração econômica em 2026 devido ao ciclo de juros elevados. O último boletim Focus, por exemplo, estima um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,26% em 2025, seguido por uma alta de apenas 1,8% em 2026.
Fatores que sustentam a confiança
Schmoller atribuiu o otimismo do setor financeiro à atração de investimentos estrangeiros relevantes para a Bolsa de Valores, impulsionada pelo desempenho recorde do Ibovespa em termos de valorização. “Isso contribui para a expansão da economia como um todo”, afirmou o executivo, destacando que, mesmo com taxas de juros elevadas, a economia continua em processo de expansão.
No entanto, o estudo também aponta um ajuste nas expectativas de curto prazo para as empresas do setor. A perspectiva de crescimento de receita nos próximos doze meses caiu de 62% no ano anterior para 48% atualmente. Apesar da redução, esse índice permanece acima da média brasileira de todos os setores (38%) e alinhado à média global do setor financeiro (42%).
Inovação e riscos tecnológicos em destaque
A pesquisa da PwC revela que cerca de 58% dos CEOs de empresas financeiras incorporaram a inovação como componente essencial de suas estratégias de negócios, percentual superior às médias global do setor (47%), geral brasileira (56%) e global (50%). As companhias se destacam especialmente em colaboração e experimentação:
- 39% colaboram com parceiros externos para acelerar a inovação
- 35% testam rapidamente novas ideias com clientes
Paralelamente, a preocupação com riscos cibernéticos é significativa. Para 45% dos líderes brasileiros do setor, seus negócios estão altamente expostos a ameaças tecnológicas, índice que supera a média global do setor financeiro (31%) e a média de todos os setores no Brasil (25%). “Observamos que a preocupação com os riscos tecnológicos está acima de outros riscos, como o de fatores macroeconômicos”, alertou Schmoller, enfatizando a necessidade de ações preventivas e monitoramento constante.
Inteligência Artificial como aliada estratégica
A adoção da Inteligência Artificial (IA) emerge como um pilar importante para o setor, tanto na prevenção de riscos quanto na geração de eficiências. No Brasil, 34% dos CEOs de serviços financeiros relatam algum aumento de receita atribuído ao uso de IA, enquanto nenhum mencionou queda. Em relação aos custos, 28% apontam redução associada a ganhos de eficiência, e 50% mantêm os custos estáveis.
Esses valores são significativamente superiores aos observados globalmente, onde apenas 12% das empresas registraram economia de custos e aumento de receita com IA no último ano. Schmoller ressaltou que “programas robustos de IA responsável contribuem para mitigar incidentes e acelerar a recuperação quando falhas ocorrem”, reforçando a importância da confiança dos acionistas como ativo estratégico mensurável.
Em síntese, o setor financeiro brasileiro demonstra uma visão cautelosamente otimista para 2026, ancorada em fatores como investimentos estrangeiros e inovação tecnológica, mas atento aos desafios representados pelos riscos cibernéticos e ao cenário macroeconômico.