O mercado financeiro global testemunhou um marco histórico nesta segunda-feira, 26 de janeiro de 2026, quando o ouro atingiu pela primeira vez a cotação de US$ 5.000 por onça-troy, a unidade de medida padrão para o metal precioso. Esse valor representa um novo recorde absoluto, superando a barreira psicológica dos US$ 4.000 que havia sido ultrapassada apenas em outubro do ano anterior.
Valorização expressiva e contexto econômico
Desde o início de 2026, o ouro acumula uma valorização impressionante de 16,25%, refletindo um movimento acelerado de alta. O pano de fundo para essa escalada inclui fatores semelhantes aos que têm influenciado a bolsa brasileira e a recente queda do dólar. Especialistas apontam que o medo de uma possível bolha da inteligência artificial estourar nos Estados Unidos está entre os principais motores, especialmente em um cenário onde a economia norte-americana enfrenta fragilidades decorrentes das políticas do presidente Donald Trump.
Demanda turbinada por aversão ao dólar
A aversão generalizada aos dólares tem sido um catalisador crucial para o aumento da demanda pelo ouro, que vem de múltiplas frentes. A mais simbólica delas é a demanda crescente de bancos centrais ao redor do mundo, que buscam ativamente reduzir sua dependência dos Estados Unidos e diversificar suas reservas internacionais. Essa estratégia de desdolarização ganhou força nos últimos meses, contribuindo para a pressão de alta nos preços do metal.
Semana crucial para os mercados globais
O novo recorde do ouro coincide com uma semana de extrema importância para os investidores, marcada por eventos-chave que podem definir os rumos dos mercados financeiros. Entre os destaques estão:
- Divulgação de resultados corporativos: Empresas como Microsoft, Meta, Tesla e Apple anunciarão seus balanços, com atenção especial aos investimentos em inteligência artificial e à resistência dos consumidores em pagar por novas tecnologias.
- Superquarta de juros: Expectativa de manutenção das taxas de juros tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, em decisões que serão acompanhadas de perto por analistas.
- Desempenho das bolsas: Enquanto os futuros das bolsas americanas e os índices europeus registram quedas, o EWZ, fundo que representa ações brasileiras em Nova York, avança, sugerindo um potencial novo recorde para o Ibovespa.
Preocupações setoriais e concorrência
Além do cenário macroeconômico, preocupações específicas de setores também influenciam o clima de incerteza. No caso da Tesla, por exemplo, a montadora enfrenta desafios como a concorrência acirrada com veículos chineses e uma diminuição na demanda por seus carros, fatores que se somam às discussões sobre o impacto da inteligência artificial no mercado automotivo.
Enquanto isso, a agenda econômica do dia incluiu indicadores importantes, como o índice Ifo de sentimento das empresas na Alemanha e a publicação do Relatório Focus e das contas externas pelo Banco Central do Brasil, reforçando a atenção dos investidores a dados que podem sinalizar tendências futuras.
Esse movimento do ouro para US$ 5.000 não apenas marca um ponto alto histórico, mas também evidencia uma mudança significativa nas preferências de investimento global, com ativos seguros ganhando destaque em meio a incertezas geopolíticas e tecnológicas. A combinação de aversão ao dólar, demandas institucionais e temores com a bolha da IA cria um ambiente propício para que o metal continue a atrair interesse, podendo influenciar decisões de portfólio e estratégias de hedge nos próximos meses.