Ouro bate recorde histórico após ameaças de Trump ao Irã; prata e petróleo também sobem
Ouro atinge recorde com tensão EUA-Irã; prata e petróleo sobem

O mercado financeiro global foi sacudido por uma onda de volatilidade nesta quinta-feira (29), com o preço do ouro atingindo um patamar histórico sem precedentes. A cotação da onça troy, equivalente a 31,1 gramas, chegou a superar a marca de US$ 5.595, aproximando-se de US$ 5.600, o que representa mais de R$ 29 mil na conversão direta.

Gatilho geopolítico

O disparo vertiginoso do metal precioso tem como pano de fundo direto as crescentes tensões entre os Estados Unidos e o Irã. O presidente norte-americano, Donald Trump, utilizou sua plataforma Truth Social para emitir uma série de ameaças explícitas a Teerã.

"Esperamos que o Irã se sente em breve à mesa para negociar um acordo justo e equilibrado para todas as partes — ARMAS NUCLEARES NÃO", escreveu Trump. Em seguida, reforçou a postura belicista: "O próximo ataque será muito pior. Não deixem que isso volte a acontecer", em referência a bombardeios realizados no ano passado.

Fuga para ativos seguros

Em momentos de incerteza aguda e risco geopolítico elevado, os investidores tradicionalmente buscam refúgio em ativos considerados seguros. O ouro é o principal deles. O analista de mercados Stephen Innes destacou que o movimento atual vai além de um simples hedge contra recessão.

"O ouro é o oposto da confiança. Quando a credibilidade das políticas enfraquece, o metal deixa de atuar apenas como proteção e passa a ser uma alternativa", explicou Innes, indicando uma perda de fé nas diretrizes políticas convencionais.

Efeito cascata nos mercados

A alta do ouro não foi um fenômeno isolado. Outros ativos sentiram o impacto imediato das ameaças de Trump:

  • Prata: Com o ouro atingindo valores considerados inacessíveis para muitos pequenos investidores, a prata emergiu como uma alternativa mais viável. Em Hong Kong, lojas no centro financeiro relataram o esgotamento de centenas de barras do metal em pouco mais de uma hora.
  • Petróleo: As tensões no Oriente Médio, região crucial para a produção global de petróleo, impulsionaram os preços do barril. O West Texas Intermediate (WTI) atingiu seu nível mais alto desde setembro, enquanto o Brent do Mar do Norte alcançou a maior cotação desde julho.
  • Dólar: A moeda norte-americana seguiu sob pressão, mesmo após declarações oficiais em defesa de uma política de "dólar forte". A desvalorização da divisa também contribuiu para tornar o ouro, precificado em dólares, mais barato para investidores de outras moedas, alimentando ainda mais a demanda.

Corrida às barras em Hong Kong

A demanda física por metais preciosos ficou evidente no mercado de Hong Kong. Ken Wong, um aposentado de 65 anos, chegou à loja Lee Cheong por volta das 5h da manhã e conseguiu adquirir cinco barras de prata.

"A compra permite investir rapidamente em um ativo em alta, já que o ouro ficou caro demais", afirmou Wong à agência de notícias AFP, exemplificando a estratégia de investidores que buscam lucrar com a tendência de alta sem arcar com o custo proibitivo do ouro.

Cenário militar em movimento

As declarações de Trump não são apenas retórica. Um grupo de ataque naval americano, liderado pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln e descrito pelo presidente como uma "armada", está posicionado em águas do Oriente Médio.

Trump afirmou que a força está "pronta, disposto e capacitada para cumprir rapidamente sua missão, com força e rapidez, se necessário". A rede CNN informou que o mandatário estaria considerando seriamente ordenar um ataque militar, diante do fracasso das negociações sobre o programa nuclear iraniano.

O cenário de confronto aberto, portanto, não é uma mera especulação de mercado, mas uma possibilidade concreta que os investidores estão precificando de forma acelerada nos preços dos ativos, com o ouro liderando essa corrida por segurança em tempos de grande incerteza internacional.