IPCA-15 desacelera em janeiro, mas não deve antecipar corte da Selic pelo Copom
IPCA-15 desacelera, mas não antecipa corte da Selic

A desaceleração do IPCA-15 registrada na primeira quinzena de janeiro não será suficiente para convencer o Comitê de Política Monetária (Copom) a antecipar o início do ciclo de cortes da taxa básica de juros, a Selic. Essa é a avaliação predominante entre economistas após a divulgação do índice pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, 27 de janeiro de 2026.

Dados do IPCA-15 e expectativas do mercado

O IPCA-15 de janeiro apresentou uma alta de 0,20%, valor inferior aos 0,25% registrados em dezembro e também abaixo das estimativas de parte dos analistas. Divulgado durante a primeira reunião do Copom em 2026, o número naturalmente levantou questões sobre seu potencial impacto na decisão da autoridade monetária, que será anunciada após o fechamento do mercado.

Análise dos economistas sobre a inflação subjacente

Segundo Jason Vieira, economista da Lev Intelligence, o dado não traz conforto para a política monetária. Ele destacou que, apesar da desaceleração, a inflação subjacente – também conhecida como núcleo da inflação – permanece em um patamar desconfortável. Vieira explicou que a melhora do índice se concentrou em fatores pontuais e voláteis, como o recuo de quase 9% no preço das passagens aéreas.

Além disso, a taxa de difusão da inflação, que mede quantos itens efetivamente ficaram mais caros, encerrou a quinzena em 63%, indicando uma pressão inflacionária ainda disseminada na economia. A desaceleração dos gastos com alimentos, que beneficiou o IPCA-15 deste mês, também tende a arrefecer no futuro, conforme apontam especialistas.

Perspectivas para o ciclo de cortes da Selic

Julio Barro, economista do banco Daycoval, reforçou que o período mais favorável para os alimentos está ficando para trás, o que pode limitar ganhos adicionais na inflação. Outro fator que sustenta a expectativa do mercado de que o Copom iniciará os cortes da Selic apenas em março é o acumulado de 4,5% do IPCA-15 nos últimos doze meses, no limite do teto da meta de inflação determinado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Com base nesses elementos, o Daycoval projeta que a inflação acumulada em 2026 será de 4,1%, ligeiramente abaixo dos 4,26% registrados ao final de 2025. Barro afirmou que, embora o resultado do IPCA-15 reforce um viés de baixa, ele não altera a expectativa de início do ciclo de corte do Banco Central sobre a Selic em março, mantendo a taxa atual em 15% ao ano por enquanto.