Ibovespa inicia pregão em queda com tensão geopolítica e ameaças tarifárias
O Ibovespa abriu o pregão desta terça-feira, 20 de janeiro de 2026, em nítida queda, marcando 164.340 pontos e refletindo um cenário de incertezas globais que pressionam os mercados financeiros. O movimento negativo é diretamente influenciado pelas recentes declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, que reacenderam tensões geopolíticas ao ameaçar a implementação de novas tarifas comerciais e expressar interesse em assumir o controle da Groenlândia.
Cenário doméstico: Lula cumpre agenda no Rio Grande do Sul
Enquanto os mercados internacionais enfrentam turbulências, no plano doméstico, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue uma agenda no Rio Grande do Sul. Sua programação inclui a entrega de unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida no município de Rio Grande, além da participação em uma cerimônia para assinatura de contratos voltados à construção de navios gaseiros, empurradores e barcaças, demonstrando foco em políticas de infraestrutura e habitação.
Desempenho setorial: bancos em baixa e varejo resistente
No âmbito das ações negociadas na B3, o pregão começou com um desempenho negativo generalizado entre os grandes bancos, enquanto o setor varejista apresentou certa resiliência. Confira os principais movimentos:
- Itaú (ITUB4): liderava as perdas com recuo de 0,94%.
- Santander (SANB11): registrava queda de 0,93%.
- Bradesco (BBDC4): apresentava baixa de 0,74%.
- Banco do Brasil (BBAS3): recuava 0,66%.
Por outro lado, destoando do cenário negativo, as ações de varejo mostraram leve avanço:
- Casas Bahia (BHIA3): subia 0,35%.
- Magazine Luiza (MGLU3): avançava 0,12%.
Tensões internacionais: Trump ameaça tarifas e mira Groenlândia
No exterior, Donald Trump elevou o tom ao ameaçar impor uma série de tarifas comerciais progressivas a partir de 1º de fevereiro sobre oito países europeus. Condicionou a suspensão dessas medidas à autorização para que os Estados Unidos comprem a Groenlândia, reacendendo temores de uma nova guerra comercial global. Apesar do ceticismo de parte do mercado quanto à efetiva adoção das tarifas, investidores mantêm cautela diante da retórica agressiva do mandatário norte-americano.
Adicionalmente, a Suprema Corte dos Estados Unidos deve divulgar novas decisões nesta terça-feira, incluindo processos que questionam a legalidade das tarifas comerciais impostas durante o governo Trump, adicionando outra camada de incerteza ao cenário.
Mercado reage com aversão ao risco: ouro e dólar em alta
Diante das tensões geopolíticas, os investidores buscam ativos de proteção, resultando em uma redistribuição significativa de recursos. Bruno Yamashita, analista de Alocação e Inteligência da Avenue, explica que o mercado reage diretamente às tensões envolvendo os Estados Unidos e a Groenlândia, com ativos seguros ganhando protagonismo.
"Da ponta contrária, a gente acompanha o ouro batendo novas máximas históricas, subindo 2,9%, assim como a prata subindo mais de 7%. Vale lembrar que todos esses movimentos são ajustes no mercado e refletem uma aversão ao risco", destaca Yamashita.
Por volta das 11h, os indicadores financeiros mostravam:
- Dólar comercial: operando em R$ 5,40.
- Índices futuros em Wall Street: com forte recuo:
- Dow Jones Futuro: queda de 1,35%.
- Nasdaq Futuro: recuo de 1,60%.
- S&P 500 Futuro: baixa de 1,45%.
Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos, avalia que o cenário para a moeda norte-americana é de fortalecimento no curto prazo. "Hoje a gente vê o dólar ganhando força, principalmente pelo fato do Trump vir impondo tarifas à União Europeia, pelo fato do presidente Emmanuel Macron não aceitar o anexo da Groenlândia aos Estados Unidos e não só ele, mas também boa parte dos presidentes da Europa", comenta Avallone.
Em resumo, o Ibovespa enfrenta um dia volátil, com pressões externas dominando o humor dos investidores. Enquanto as ameaças tarifárias e as tensões geopolíticas impulsionam a busca por segurança, refletida na alta do ouro e do dólar, o mercado doméstico tenta encontrar equilíbrio, com setores como o varejo mostrando resistência em meio à turbulência global.