Ibovespa atinge novo recorde histórico em dia decisivo para os mercados
O Ibovespa, principal índice da B3 (Bolsa de Valores de São Paulo), iniciou a sessão desta quarta-feira (28) com um forte movimento de alta, renovando seu recorde histórico ao alcançar a marca de 184.444 pontos, o que representa um avanço significativo de 1,27%. Esse desempenho ocorre em um dia crucial para os investidores, que acompanham atentamente a chamada "super quarta", marcada pela divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) no fim da tarde e pela decisão de juros do Federal Reserve (Fed), nos Estados Unidos.
Contexto político doméstico e desempenho setorial
No cenário político brasileiro, uma pesquisa recente do PoderData revelou uma piora na avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o levantamento, 57% dos entrevistados desaprovam o chefe do Executivo em 2026, enquanto apenas 34% manifestam aprovação. A percepção sobre o governo federal também segue negativa, com 53% de desaprovação e 41% de aprovação. Entre março de 2024 e janeiro de 2026, a diferença entre avaliações positivas e negativas de Lula praticamente dobrou, indicando um cenário de crescente insatisfação.
Entre os destaques do pregão, o setor bancário apresentou um desempenho majoritariamente positivo:
- Itaú (ITUB4) liderava os ganhos entre os grandes bancos, com alta de 1,19%.
- Bradesco (BBDC4) avançava 0,51%.
- Banco do Brasil (BBAS3) valorizava 0,36%.
- Santander (SANB11) destoava do movimento, operando levemente no negativo, com recuo de 0,03%.
No varejo, as ações também tiveram início de sessão favorável, com a C&A (CEAB3) disparando 5,21% e a Lojas Renner (LREN3) subindo 1,64%, refletindo otimismo em setores específicos da economia.
Cenário internacional e expectativas do mercado
No exterior, a Amazon anunciou um novo programa de reestruturação que prevê a eliminação de 16 mil postos de trabalho. De acordo com a companhia, a medida faz parte de um esforço para reduzir camadas burocráticas e ampliar a autonomia das equipes que permanecerão na empresa. A atenção dos mercados globais segue concentrada na decisão do Federal Reserve, com expectativa majoritária de manutenção das taxas de juros. Além disso, grandes empresas de tecnologia devem divulgar seus balanços após o fechamento das bolsas americanas, incluindo nomes como Microsoft e Meta.
Apesar de Jerome Powell contar com apoio de setores ligados ao Partido Republicano de Donald Trump, ainda há incerteza sobre sua permanência no conselho do Fed após o fim do mandato. Informações de bastidores indicam que Trump tem discutido possíveis nomes para a sucessão, e mercados de previsão apontam o executivo da BlackRock, Rick Rieder, como favorito.
Para Bruno Yamashita, analista de Alocação e Inteligência da Avenue, o mercado aguarda ansiosamente pelos resultados de grandes empresas de tecnologia. "Além disso, o mercado também está de olho na decisão de política monetária na Super quarta com o Fed decidindo juros nos Estados Unidos e o Copom aqui no Brasil", explica, destacando a importância desses eventos para a volatilidade dos ativos.
Movimentação em outros ativos e câmbio
Em outros ativos, o ouro voltou a renovar máximas históricas, enquanto surgiram relatos de que a China autorizou, pela primeira vez, a compra de chips de inteligência artificial H200 da Nvidia, sinalizando avanços tecnológicos e possíveis impactos no setor. No mercado de câmbio, o dólar recuava para 5,18 reais por volta das 11h, atingindo o menor patamar em quase dois anos, o que pode influenciar exportações e importações brasileiras.
Esse panorama completo dos destaques do dia ilustra um momento de alta volatilidade e expectativa nos mercados financeiros, com o Ibovespa liderando os ganhos em meio a decisões monetárias cruciais e dados corporativos relevantes.