Ibovespa atinge novo recorde histórico após sinalização de cortes de juros no Brasil e EUA
O principal índice da Bolsa de Valores brasileira, o Ibovespa, opera em forte alta nesta quinta-feira, 29 de janeiro de 2026, alcançando um novo recorde nominal após as decisões dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos. Por volta das 11h30, o índice avançava 0,61%, atingindo 185.814,31 pontos, a maior marca já registrada em termos nominais.
Decisão do Copom sinaliza início de ciclo de cortes
O Comitê de Política Monetária do Banco Central brasileiro (Copom) manteve a taxa Selic em 15% ao ano pela quinta reunião consecutiva, mas surpreendeu o mercado com uma clara sinalização de que iniciará a flexibilização monetária na próxima reunião, em março. O comunicado do Copom destacou que, "em se confirmando o cenário esperado, iniciará a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião", embora mantenha o compromisso com a serenidade no ritmo dos cortes.
Para Cristiano Oliveira, diretor de Pesquisa Econômica do Banco Pine, a decisão foi apropriada e indica uma redução gradual. "Mantemos a expectativa de corte de 0,5 ponto percentual em março e Selic em 11,50% ao ano ao fim de 2026", afirmou. Já a XP Investimentos projeta cinco cortes consecutivos de 0,5 ponto, levando a taxa básica a 12,50%.
Fed americano também indica possível redução de juros
Do outro lado do Atlântico, o Federal Reserve (Fed) manteve os juros americanos entre 3,5% e 3,75% ao ano, mas revelou divergências internas que sinalizam cortes futuros. Dois membros do comitê, Stephen Miran e Christopher Waller, votaram por uma redução imediata de 0,25 ponto percentual, indicando que o debate sobre a flexibilização monetária nos EUA está avançando.
Segundo a plataforma FedWatch da Bolsa de Chicago, 60% do mercado precifica um corte de 0,25 ponto na reunião de 17 de junho de 2026, com a maioria dos especialistas projetando uma redução total de 0,5 ponto até o final do ano.
Impacto no mercado financeiro e perspectivas
A combinação desses fatores criou um ambiente extremamente favorável para a Bolsa brasileira. Com a perspectiva de juros mais baixos, os investimentos de renda fixa perdem atratividade, enquanto os ativos de risco, como ações, se tornam mais interessantes. "A confirmação do início de corte de juros é o principal motivo para o otimismo do mercado", explica Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.
O fluxo de capital estrangeiro, que já era significativo em janeiro, tende a se intensificar com a perspectiva de juros menores nos EUA, beneficiando mercados emergentes como o brasileiro. O Ibovespa acumula alta de 15,9% em janeiro, enquanto o CDI, principal indexador da renda fixa, deve render apenas 1,24% no mesmo período.
Para alcançar o recorde real, ajustado pela inflação, o Ibovespa precisa superar a marca dos 195 mil pontos. No entanto, com o atual cenário de otimismo e a aproximação dos 200 mil pontos, analistas acreditam que este objetivo está cada vez mais próximo.