Fed pausa queda de juros e impacta mercados globais
No dia seguinte à decisão do Federal Reserve Bank (Fed) de pausar o processo de queda dos juros, mantendo-os na faixa de 3,50% a 3,75%, os mercados financeiros reagiram com movimentos significativos. O Fed indicou a possibilidade de realizar apenas dois cortes de 0,25 pontos percentuais este ano, em vez dos três esperados pelo mercado, mesmo com a ressalva de dois membros que votaram por um corte imediato de 0,25%.
Dólar sobe e metais preciosos caem inversamente
Com a pausa anunciada pelo Fed, o dólar subiu nos mercados de moedas, enquanto os metais preciosos, como ouro e prata, registraram quedas expressivas. O dólar valorizou-se ante o euro e a libra, com essas moedas caindo 0,205% e 0,22%, respectivamente. No Brasil, o real também foi afetado, com o dólar subindo para R$ 5,2362 às 12:30 (horário de Brasília), representando uma alta de 0,82%.
No mercado de commodities, o contrato de ouro para entrega em abril despencou rapidamente para US$ 5.204, com baixa de 1,87%, após ter sido negociado a US$ 5.416 na véspera. Já o contrato da prata registrou queda de 2,92% por volta das 12:40. Apesar dessas quedas imediatas, as cotações futuras do ouro mostram alta em todos os vencimentos nos próximos dois anos, reforçando a tendência dos Bancos Centrais, incluindo o do Brasil, de reduzir reservas em dólar e aumentar posições em ouro e yuan.
Mercado brasileiro: Selic mantida e apostas divididas
No cenário doméstico, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 15% e adiantou a próxima queda para a reunião de março. As apostas no mercado estão divididas quanto ao tamanho do corte inicial, variando entre 0,25% e 0,50%. O Bradesco e o Comitê Consultivo da Anbima apostam em queda inicial de 0,50%, enquanto o Itaú espera 0,25% em março, prevendo que a Selic feche o ano em 12,75%.
Essas revisões refletem as indicações de moderação no Fed e o adiamento do primeiro corte para março, influenciando as projeções para a taxa básica de juros no Brasil.
Contas fiscais do governo surpreendem positivamente
As contas fiscais do governo brasileiro para 2025 fecharam com um resultado melhor do que o esperado. Inicialmente, as previsões apontavam para um déficit público primário consolidado de 0,8% a 1,00% do PIB, mas o governo Lula informou ter alcançado um resultado compatível com a meta de déficit zero, após excluir R$ 48,7 bilhões em gastos não contabilizados.
Dados do Tesouro Nacional mostram que o governo central fechou o ano com um déficit de R$ 13,008 bilhões, ou 0,1% do PIB, cumprindo a meta de déficit primário zero, que tem tolerância de até 0,25 ponto percentual. Esse resultado será divulgado oficialmente pelo Banco Central nesta sexta-feira, 30 de janeiro, incluindo as contas de estados e municípios.
Esses desenvolvimentos destacam a interconexão entre políticas monetárias globais e locais, com impactos diretos nas moedas, commodities e expectativas econômicas.