Dólar abre em queda e mercado foca em eventos políticos e decisão do BC
O dólar iniciou a sessão desta quarta-feira, 21 de agosto, em queda, recuando 0,25% às 9h05, cotado a R$ 5,3667. Enquanto isso, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, prepara-se para abrir os negócios às 10h. Com uma agenda econômica doméstica esvaziada, os investidores voltam suas atenções para eventos políticos e institucionais relevantes, tanto no cenário internacional quanto no Brasil.
Agenda internacional: Trump em Davos e tensões com a Europa
No exterior, o foco está no discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Fórum Econômico Mundial, em Davos. Sua participação ocorre em meio a um ambiente de tensões diplomáticas recentes. Na véspera, Trump elevou o tom ao defender a aquisição da Groenlândia e ameaçar tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses, após o presidente francês Emmanuel Macron rejeitar integrar o Conselho de Paz proposto para Gaza.
Ainda nos Estados Unidos, a Suprema Corte realiza ao meio-dia uma audiência sobre a tentativa de Trump de demitir Lisa Cook da diretoria do Federal Reserve. Este caso pode abrir precedente jurídico e colocar à prova a independência do banco central americano, influenciando a percepção de risco global.
Medida do Banco Central no Brasil: liquidação da Will Financeira
No Brasil, o Banco Central decretou nesta quarta-feira a liquidação extrajudicial da Will Financeira, controladora do Will Bank, sediada em São Paulo e integrante do conglomerado do Banco Master. Segundo o BC, a medida foi tomada devido ao comprometimento da situação econômica da instituição e à incapacidade de honrar dívidas, em razão do vínculo de interesse e da influência exercida pelo Banco Master, que foi liquidado em novembro.
Esta decisão regulatória adiciona um elemento de cautela ao mercado financeiro brasileiro, refletindo preocupações com a saúde do sistema bancário e possíveis contágios.
Tensão EUA-Europa atinge novo patamar
A tentativa do presidente Trump de incorporar a Groenlândia ao território americano abriu uma frente inédita de tensão entre Washington e a União Europeia. A ilha, localizada no Ártico e pertencente à Dinamarca, tornou-se o centro de um embate político. Países europeus já planejam reações coordenadas, preocupados com desdobramentos diplomáticos e econômicos.
As tensões chegaram ao ápice após Trump anunciar, no último sábado, 17 de agosto, uma tarifa de 10% sobre oito países europeus contrários ao plano de anexação. Autoridades do bloco classificaram a postura americana como inadequada, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmando que a soberania e a integridade territorial da Groenlândia e do Reino da Dinamarca são inegociáveis.
O presidente francês, Emmanuel Macron, enviou uma mensagem direta a Trump demonstrando perplexidade, e uma reunião de emergência dos líderes europeus está marcada para quinta-feira, 22 de agosto, em Bruxelas, buscando uma saída diplomática para a crise.
Impacto nas bolsas globais e desempenho acumulado
Os principais índices de Wall Street caíram para uma mínima de quase três semanas nesta terça-feira, refletindo a aversão ao risco. O Dow Jones Industrial Average caiu 1,76%, o S&P 500 perdeu 2,06% e o Nasdaq Composite recuou 2,39%. Na Europa, o índice Stoxx 600 recuou 0,72%, com mercados em Londres, Frankfurt e Paris também registrando quedas.
Na Ásia, os mercados encerraram o dia pressionados por medidas mais firmes das autoridades reguladoras chinesas, com desempenhos variados em Xangai, Hong Kong, Japão, Coreia do Sul, Taiwan e Cingapura.
Dólar: Acumulado da semana: +0,14%; Acumulado do mês: -1,98%; Acumulado do ano: -1,98%.
Ibovespa: Acumulado da semana: +0,90%; Acumulado do mês: +3,20%; Acumulado do ano: +3,20%.
Em resumo, o mercado financeiro opera em um ambiente de cautela, com o dólar em queda no Brasil, mas atento às tensões geopolíticas entre EUA e Europa e às decisões regulatórias domésticas, como a liquidação da Will Financeira pelo Banco Central.