BC e FED mantêm juros inalterados em meio a incertezas globais e mercado brasileiro em alta
BC e FED mantêm juros inalterados; Bolsa brasileira bate recorde

Bancos centrais do Brasil e EUA mantêm taxas de juros inalteradas em meio a cenário econômico incerto

Em um contexto de incertezas econômicas globais, os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (28) a decisão de não mexer nas taxas de juros de seus respectivos países. A medida reflete a cautela das autoridades monetárias diante de um ambiente internacional volátil, onde a inflação e as pressões políticas demandam atenção constante.

FED americano interrompe ciclo de cortes e defende independência

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (FED) decidiu interromper o ciclo de três quedas consecutivas na taxa básica, mantendo-a na faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano. A votação do comitê foi apertada, com dez diretores favoráveis à manutenção e dois defendendo um corte. Em coletiva de imprensa, o presidente Jerome Powell reforçou a independência da instituição, afirmando que as decisões são baseadas em dados econômicos e não em pressões políticas.

O comunicado oficial do FED destacou que "a atividade econômica tem se expandido em um ritmo sólido, com a inflação ainda elevada", acrescentando que "a incerteza em relação às perspectivas econômicas permanece elevada". A declaração ocorre em um momento em que o banco central americano enfrenta críticas públicas do ex-presidente Donald Trump, que tem pressionado por cortes mais agressivos nas taxas.

Mercado brasileiro reage com otimismo e Bolsa atinge novo recorde

Enquanto investidores aguardavam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil, o Ibovespa fechou em alta histórica de 1,52%, alcançando 184.691 pontos. O dólar permaneceu estável, sendo negociado a R$ 5,20 no mercado à vista. Esse movimento positivo reflete o fluxo de recursos internacionais atraídos pelos juros elevados no país.

"Esse diferencial de juros faz com que seja muito atrativo investir no Brasil. Você tem uma rentabilidade alta e uma perspectiva, uma segurança muito grande em relação ao mercado financeiro daqui. E é por isso que esses recursos vêm para cá com muita intensidade", explica Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital.

Copom mantém Selic em 15% pela quinta reunião consecutiva

Na noite de quarta-feira, o Copom anunciou a manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, decisão que se repete pela quinta reunião seguida. Esse patamar só foi superado em maio de 2006, demonstrando o rigor do atual ciclo de aperto monetário. Desde o início de 2022, quando a taxa estava em 9,25% ao ano, o Banco Central vem elevando os juros como parte do esforço para conter a inflação.

Embora a manutenção da Selic já fosse esperada pelo mercado, o tom do comunicado oficial surpreendeu ao indicar a possibilidade de um corte na próxima reunião, marcada para março. O texto afirma que o comitê "antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião".

Banco Central reforça cautela e monitora riscos geopolíticos

O Copom ressaltou, no entanto, que "manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta" e continuará acompanhando os impactos do contexto geopolítico na inflação brasileira. A postura reflete uma cautela adicional diante de um cenário de maior incerteza internacional.

"Se a gente continuar vendo a atividade, a economia esfriando, isso também vai contribuir para que o Copom possa fazer mais cortes. O risco nesse cenário é um risco de mais gastos por parte do governo. Ou seja, se a gente continuar tendo uma expansão fiscal, isso pode aquecer a demanda e manter a inflação alta", analisa Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter.

A decisão conjunta dos bancos centrais do Brasil e dos EUA evidencia os desafios enfrentados pelas autoridades monetárias em um momento de transição econômica global. Enquanto o FED busca equilibrar crescimento e inflação sob pressões políticas, o Banco Central brasileiro navega entre a necessidade de conter preços e a expectativa de iniciar um ciclo de flexibilização monetária.