O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso contundente em defesa da valorização do salário mínimo durante as comemorações dos 90 anos da lei que instituiu o piso nacional. O evento ocorreu nesta sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, nas instalações da Casa da Moeda do Brasil, no Rio de Janeiro.
Crítica ao valor atual e apelo por união
Em sua fala, Lula foi enfático ao classificar o valor atual do salário mínimo como insuficiente. "Eu acho que o salário mínimo é muito pouco, é muito pouco", afirmou o presidente, repetindo a frase para dar ênfase. Ele explicou que o governo defende a existência do piso salarial, mas que é necessário um esforço coletivo para elevá-lo a uma quantia mais digna.
Lula convocou tanto o governo quanto a sociedade, incluindo os setores produtivos, a se unirem nessa luta. "O que eu tô fazendo apologia aqui é da ideia deste país ter um salário mínimo. E que todos nós, governo e vocês, tem obrigação de lutar para que ele melhore", declarou.
Capacidade empresarial e limites orçamentários
O presidente abordou as razões que, em sua visão, impedem aumentos mais expressivos no curto prazo. Ele citou o tamanho da população brasileira como um fator que pressiona as contas públicas, afirmando que um reajuste maior "não cabe no orçamento" federal de forma imediata.
Contudo, Lula fez uma distinção clara em relação ao setor privado. Ele pontuou que, independentemente do piso nacional, todos os empresários do país têm condições de remunerar seus funcionários com valores superiores ao salário mínimo. A declaração é um incentivo direto para que as empresas avancem além do patamar legal obrigatório.
Defesa da soberania e crítica histórica
O evento na Casa da Moeda também serviu para que Lula reforçasse a importância da instituição pública. Ele lembrou que a casa quase foi privatizada e defendeu sua manutenção estatal, dizendo que "a moeda é um símbolo de um país".
"Utilizar do próprio papel e tinta é exercer a soberania brasileira", argumentou, criticando a visão de alguns políticos que, segundo ele, consideram empresas públicas um desastre.
O discurso também mergulhou em uma análise histórica sobre a exclusão social. Lula afirmou que, por muito tempo, as pessoas pobres foram deixadas de fora das políticas públicas e não eram vistas como merecedoras dos mesmos direitos. Para ilustrar, usou o exemplo tardio da criação da primeira universidade no Brasil, em 1920.
"Demorou 420 anos para fazer a primeira universidade, por que será que acontecia isso? Porque pobre não precisa estudar, ele é feito só para trabalhar", questionou, rejeitando essa visão que classificou como distorcida e prejudicial para o desenvolvimento nacional.
A celebração dos 90 anos da lei do salário mínimo marca um momento de reflexão sobre direitos trabalhistas e distribuição de renda no Brasil. As declarações do presidente Lula reacendem o debate sobre a responsabilidade compartilhada entre Estado e iniciativa privada na busca por uma remuneração mais justa para a base da pirâmide social.