Banco Mundial: Brasil cresce abaixo da média global em 2026 e 2027
Juros altos freiam PIB brasileiro, aponta Banco Mundial

O Banco Mundial divulgou nesta terça-feira, 13 de janeiro de 2026, suas projeções para a economia global, e os números para o Brasil acendem um sinal de alerta. Após um período de desempenho superior à média mundial, o país agora deve crescer menos nos próximos anos, com os juros altos atuando como um freio de mão puxado para a atividade econômica.

Desaceleração global e o desempenho brasileiro

Segundo o relatório, a economia mundial, que cresceu 2,8% em 2024, desacelerou para 2,7% em 2025 e deve cair para 2,6% em 2026, retomando uma taxa de 2,7% apenas em 2027. O Brasil, que havia superado a média global em 2023 (3,2%) e 2024 (3,4%), viu seu crescimento recuar para 2,3% no ano passado, ficando abaixo dos 2,7% mundiais.

A perspectiva não é animadora para os próximos anos. Enquanto o mundo deve crescer 2,6% em 2026, a projeção para o Brasil fica entre 2,0% e 2,6%. Para 2027, a estimativa é de 2,3% para os brasileiros, novamente abaixo dos 2,7% projetados para o planeta.

O cenário internacional: Índia lidera, China desacelera e EUA sob pressão

Entre as grandes economias, a Índia segue como a locomotiva do crescimento, com uma expansão de 7,2% em 2025 e projeções de 6,5% (2026) e 6,6% (2027). A China, por outro lado, mostra desaceleração: de 4,9% em 2025 para 4,4% em 2026 e 4,2% em 2027, impactada pela retração do comércio mundial.

Para os Estados Unidos, o Banco Mundial projeta crescimento de 2,2% em 2026 e 1,9% em 2027. Os números devem aumentar a frustração do presidente Donald Trump, que pressiona o Federal Reserve por cortes de juros, embora tenha interesse pessoal, como empresário do setor imobiliário, em manter os juros baixos.

A Zona do Euro deve recuar de 1,4% em 2025 para 0,9% em 2026, reflexo das tensões comerciais. O Japão, após bom desempenho em 2025 (1,3%), também desacelera para 0,8% nos dois anos seguintes.

Comparativo na América Latina e o caso Banco Master

Na comparação regional, o Brasil supera o México. Após ser ultrapassado em 2023 (3,2% contra 3,4%), o país devolveu a liderança em 2024 (3,4% contra 1,4%) e 2025 (2,3% contra 0,2%), e deve manter a vantagem em 2026 e 2027. A Argentina mostra recuperação, com crescimento de 4,6% em 2025 e projeção de 4,0% para os dois anos seguintes.

Paralelamente ao cenário macroeconômico, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fez uma declaração impactante sobre a crise do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro. "Podemos estar diante da maior fraude bancária do país", afirmou Haddad, endossando a ação do BC. Até o momento, as investigações já identificaram quase R$ 24 bilhões em fraudes, valor que se aproxima do escândalo contábil das Lojas Americanas (R$ 25 bilhões). Os prejuízos atingiram milhares de investidores, protegidos pelo FGC, e fundos de pensão de estados e municípios.

O relatório também destaca o crescimento de nações populosas como Indonésia (5,0%) e Bangladesh (3,7% em 2025), e analisa os efeitos das guerras comerciais e conflitos. Países exportadores de petróleo, com exceção da Guiana, crescem menos que os importadores, evidenciando a força da tecnologia na transição energética. Enquanto isso, a Venezuela, com suas vastas reservas, viu a produção encolher 70% em 15 anos, e o Irã sofre com ataques e instabilidade interna.