Brasil registra déficit de US$ 68,8 bilhões em transações correntes em 2025
Déficit em transações correntes do Brasil atinge US$ 68,8 bi em 2025

Brasil registra déficit de US$ 68,8 bilhões em transações correntes em 2025

O Brasil encerrou o ano de 2025 com um déficit acumulado em transações correntes de 68,8 bilhões de dólares, um resultado que supera os 66,2 bilhões reportados em 2024. Este cenário reflete principalmente a queda do superávit comercial, mesmo diante de exportações que bateram recorde histórico. As transações correntes representam o saldo total de pagamentos e recebimentos realizados pelo governo, empresas e indivíduos em operações com parceiros internacionais.

Impacto do tarifaço de Trump e recorde nas exportações

Em um ano marcado pelo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afetou quase todos os países, o Brasil viu seu saldo comercial recuar 8,9%, totalizando 60 bilhões de dólares. Apesar desse desafio, as exportações alcançaram a cifra recorde de 350,9 bilhões de dólares, enquanto as importações somaram 290,9 bilhões – também as maiores da série histórica. O déficit das transações correntes correspondeu a 3,02% do produto interno bruto (PIB), percentual praticamente estável em relação aos 3,03% de 2024.

Legalização das apostas online e conta de serviços

Um dos fatores que ajudaram a mitigar o déficit foi a legalização dos sites de apostas online, conhecidos como bets. Desde janeiro de 2025, a legislação obriga que essas plataformas mantenham empresas no Brasil para explorar o mercado local. De acordo com o Banco Central, essa medida contribuiu para uma redução de 5 bilhões de dólares nas despesas líquidas com serviços de recreação e cultura. No entanto, a conta de serviços registrou aumentos em outras rubricas, como propriedade intelectual (mais 2,5 bilhões de dólares), viagens (mais 1,5 bilhão) e serviços de telecomunicação, computação e informações (mais 941 milhões de dólares).

Análise do cenário econômico

O déficit em transações correntes inclui uma ampla gama de operações, desde juros pagos pelo governo em suas dívidas até exportações e importações de bens e serviços, passando por gastos de turistas no exterior e investimentos diretos de companhias estrangeiras no Brasil. A queda do saldo comercial foi parcialmente compensada pelo menor déficit na conta de serviços, que somou 52,9 bilhões de dólares em 2025 – uma redução de 4,1% em relação ao ano anterior. Este resultado destaca como políticas regulatórias e fatores externos moldaram as contas externas do país no período.