Zona Azul em Rio Branco: Comerciantes e Motoristas Avaliam Impactos Após 8 Meses de Suspensão
Zona Azul em Rio Branco: Impactos Após 8 Meses de Suspensão

Zona Azul em Rio Branco: Oito Meses de Suspensão e Impactos no Centro da Cidade

O sistema de estacionamento rotativo conhecido como Zona Azul, que operava em diversos pontos do Centro de Rio Branco, está suspenso há mais de oito meses. A interrupção do serviço, que cobrava por hora de uso, tem gerado opiniões divergentes entre comerciantes e motoristas que circulam pela região, enquanto a Prefeitura de Rio Branco e a Empresa Rizzo Parking travam uma disputa judicial por quebra de contrato.

Opiniões de Comerciantes e Motoristas Sobre a Suspensão

Com a paralisação do sistema, a Rede Amazônica foi às ruas para ouvir a população. Muitos comerciantes avaliam que a saída da Zona Azul trouxe benefícios, com um aumento no fluxo de pessoas na área. “Na minha opinião, ajudou a saída. Para mim, sem a Zona Azul é melhor, vem mais gente”, afirmou Marcos Carmurça, refletindo uma visão positiva entre alguns empresários locais.

Por outro lado, motoristas que utilizaram o serviço relatam experiências negativas e transtornos. Evilando Lima, motorista de aplicativo, destacou dificuldades com o aparelho de pagamento e multas aplicadas. “Procurava alguém para ajudar e não achava ninguém. Eu entrei para resolver uma questão no banco, e quando cheguei, a notificação estava no meu carro. Se não me recordo, eram R$ 22, sendo que o estacionamento era R$ 2,50. Então, para mim, não teve nada de benefício”, reclamou.

A intérprete de Libras Sâmia dos Santos também criticou o sistema, mencionando problemas com saldo preso no aplicativo após a desativação. “Tinha um saldo e parece que desativaram o aplicativo, e eu continuei com saldo e perdi. Também não mudou muita coisa, porque a gente estaciona e tem que pagar os flanelinhas constantemente”, disse ela.

Histórico e Disputa Judicial da Zona Azul

A Zona Azul foi suspensa pela primeira vez em abril de 2021, após sete anos de funcionamento, devido ao fim do contrato com a empresa responsável. Dois anos depois, o serviço foi retomado até abril de 2025, mas atualmente está paralisado novamente. A Prefeitura de Rio Branco e a Rizzo Parking estão envolvidas em um processo judicial que segue em tramitação, com ambas as partes alegando quebra de contrato. Sobre questões como saldo preso, as entidades informaram que irão se manifestar apenas após uma sentença no caso.

Denúncias de Irregularidades e Falhas na Fiscalização

Em 2023, o vereador Eber Machado denunciou a Rizzo Parking por supostamente operar sem o Termo de Recebimento Definitivo (TRD), o que comprometeria a legalidade das cobranças. A RBTrans confirmou a denúncia por meio de um ofício assinado pelo superintendente Clendes Vilas Boas, admitindo que a empresa não possuía o TRD, mas continuava operando. A denúncia também apontou falhas graves na sinalização das vagas, com estimativas de que mais de 90% estivessem em desacordo com o Código de Trânsito Brasileiro, e criticou a falta de fiscalização da prefeitura.

Em resposta, a CEO da Rizzo Parking, Roberta Borges, afirmou que a empresa tinha um contrato de dez anos e negou operar ilegalmente. Ela alegou que a suspensão foi devido a depredações e violência contra a sinalização, e não às denúncias, destacando que a empresa possui um TRD parcial e que o definitivo seria recebido ao final da implementação em outros bairros. “Somos vítimas constantes de depredações. Mesmo antes da divulgação dessas notícias falsas, já havíamos anunciado um processo judicial para rescisão amigável”, disse ela.

A RBTrans abriu um procedimento administrativo para apurar possíveis descumprimentos contratuais, formando uma comissão através do Procedimento de Apuração de Infrações de Fornecedores (PAAIF). Enquanto isso, a população aguarda resolução do impasse, com impactos visíveis no cotidiano do centro de Rio Branco.