TCE libera privatização da Celepar, empresa que guarda dados sensíveis dos paranaenses
TCE libera privatização da Celepar, que guarda dados do Paraná

TCE libera processo de privatização da Celepar no Paraná

O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE) autorizou, na última sexta-feira (23), a retomada do processo de privatização da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar). A decisão, conduzida pelo conselheiro Durval Amaral, ocorre após o governo estadual apresentar documentação solicitada sobre impactos financeiros e de proteção de dados, suspendendo uma liminar que estava em vigor desde setembro de 2025.

Próximos passos e contexto da empresa

Agora, a etapa seguinte será a publicação do edital de venda, sem previsão concreta de data. Fundada em 1964, a Celepar emprega 980 funcionários e é responsável por armazenar dados sensíveis dos paranaenses em seus servidores, incluindo:

  • Informações educacionais e históricos médicos
  • Registros de infrações de trânsito
  • Dados de pagamentos de impostos

O TCE considerou que as alegações que levaram à medida cautelar não se sustentam após as explicações da empresa, permitindo a retomada dos estudos e do cronograma do processo.

Argumentos do governo e preocupações com dados

Nos documentos apresentados, o Governo do Paraná argumentou que a desestatização não representa risco à propriedade dos dados pessoais. Segundo a justificativa, a Celepar atuará como uma operadora, enquanto o estado mantém o controle como titular das informações. Essa posição visa tranquilizar a população sobre a segurança e privacidade dos dados armazenados.

Críticas da oposição e tramitação acelerada

A privatização foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) em novembro de 2024, em um regime de urgência que concluiu a tramitação em apenas nove dias. O processo de venda permanece em sigilo, gerando críticas de deputados da oposição, que protocolam pedidos para:

  1. Quebra do segredo do processo
  2. Maior transparência e debate público
  3. Proteção de documentos apenas quando houver risco real à segurança

Arilson Chiorato (PT), líder da oposição na Alep, destacou que a Celepar é uma empresa estratégica, administrando dados de saúde, segurança, educação e servidores públicos. Ele afirmou que a venda "ameaça a soberania digital e o direito à privacidade da população", reforçando a resistência do grupo à medida.

Impactos e perspectivas futuras

A liberação pelo TCE marca um passo significativo na agenda de privatizações do estado, mas levanta questões sobre a gestão de dados públicos e a participação social. Enquanto o governo busca avançar com a venda, a oposição continua a pressionar por mais transparência, refletindo um debate mais amplo sobre tecnologia, privacidade e administração pública no Paraná.