SPTrans assume 133 linhas de ônibus após desistência da Sancetur na Zona Sul de SP
SPTrans assume linhas de ônibus após desistência na Zona Sul de SP

A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) anunciou nesta quinta-feira (29) que a SPTrans assumirá a supervisão das 133 linhas de ônibus na Zona Sul de São Paulo, após a empresa Sancetur desistir de administrar os serviços. A medida visa garantir a continuidade do transporte público sem prejuízos para a população local.

Operação mantida sem interrupções

Os lotes D10 e D11, que atendem distritos como Grajaú, Parelheiros, Marsilac e Jardim Ângela, eram de responsabilidade da Transwolff, empresa que teve o contrato rescindido devido a investigações do Ministério Público de São Paulo. Em nota, a SPTrans afirmou que manterá a operação das linhas, assegurando o transporte de 555 mil passageiros por dia.

A administração municipal destacou: "A operação dos ônibus está mantida, sem qualquer prejuízo para a população. Os empregos dos trabalhadores também serão mantidos, assim como o pagamento de salários e benefícios e os compromissos firmados com fornecedores, sob acompanhamento e supervisão da SPTrans."

Desistência da Sancetur e processo licitatório

A Sancetur comunicou à prefeitura, na quarta-feira (28), a "impossibilidade de assumir plenamente a execução do contrato emergencial" dos lotes D10 e D11. Diante disso, a gestão municipal informou que "segue adotando todas as medidas necessárias para publicação do edital para concessão do serviço dos referidos lotes".

Entretanto, a SPTrans não esclareceu detalhes operacionais, como a origem dos ônibus que circularão nas linhas ou o CNPJ responsável pelo registro dos funcionários na carteira de trabalho.

Contexto das investigações contra a Transwolff

A Transwolff foi alvo da Operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024 pelo Ministério Público de São Paulo, sob suspeita de lavagem de dinheiro e favorecimento ao PCC. As investigações indicam que recursos de origem ilícita podem ter sido usados para aumentar o capital da empresa, com esquemas envolvendo "laranjas" e "CNPJs fantasmas".

Em dezembro de 2024, a Prefeitura de São Paulo iniciou o processo para rescindir os contratos com a Transwolff. A defesa da empresa nega qualquer vínculo com o crime organizado e afirma que contestará as decisões na Justiça.

Decisões judiciais recentes

Em dezembro de 2025, a Justiça de São Paulo proferiu duas decisões distintas envolvendo a Transwolff:

  • A Vara de Crimes Tributários e Organizações Criminosas determinou a suspensão das atividades da empresa, autorizando a prefeitura a vender imóveis e veículos apreendidos para evitar a rearticulação do grupo.
  • A Vara da Fazenda Pública suspendeu o encerramento do contrato entre a prefeitura e a Transwolff, argumentando que o município não seguiu os trâmites administrativos adequados.

A Prefeitura de São Paulo informou que recorrerá da decisão da Vara da Fazenda Pública, pois não foi ouvida no processo. Sobre a decisão da Vara de Crimes Tributários, a gestão afirmou que ainda analisa o caso.

Posicionamentos oficiais

A Procuradoria Geral do Município (PGM) declarou: "A decisão judicial foi tomada sem que o Município tivesse sido ouvido, o que impediu a Prefeitura de apresentar informações e documentos importantes. O decreto de caducidade é legal e foi adotado após um processo administrativo regular."

A Transwolff, por sua vez, emitiu nota afirmando: "A empresa repudia veementemente qualquer tentativa de associação com organizações criminosas. Segue se defendendo nas instâncias competentes e colaborando com as autoridades." A empresa também ressaltou que não recebeu notificação sobre a decisão que suspende suas atividades.

Enquanto aguarda a nova licitação para definir um concessionário definitivo, a prefeitura garante que os serviços de transporte seguirão normalmente, protegendo tanto os passageiros quanto os trabalhadores envolvidos.