Represas municipais são essenciais para segurança hídrica na região de Piracicaba, SP
A construção de represas para armazenamento de água representa uma das principais medidas para assegurar a segurança hídrica na região de Piracicaba, no interior de São Paulo. A informação foi confirmada por Francisco Lahóz, Secretário Executivo do Consórcio PCJ, uma associação que gerencia recursos hídricos e o meio ambiente nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí.
Barramentos funcionam como plano B para abastecimento
Segundo Lahóz, esses barramentos atuam como uma espécie de plano B para o abastecimento de água. Eles permitem que os municípios utilizem reservatórios próprios em situações críticas, como poluição acidental dos rios ou redução severa da vazão durante períodos de estiagem. Esses eventos estão se tornando cada vez mais comuns devido ao avanço da crise climática.
O secretário destacou previsões alarmantes: Há previsões de chuvas abaixo das médias históricas para 2026. Vai ser um ano de estiagem. Então, apesar da eficiência do gerenciamento dos ecossistemas na nossa região, estamos sentindo os efeitos das estiagens consecutivas dos últimos cinco anos e vamos passar alguns apuros em 2026 também.
Importância das represas municipais para autossuficiência
Lahóz enfatizou que a existência de represas municipais amplia significativamente a autossuficiência das cidades. Isso reduz a dependência de captações diretas em rios e poços artesianos, que frequentemente enfrentam sobrecarga. Dessa forma, os municípios conseguem administrar melhor sua disponibilidade de água, adaptando-se ao crescimento populacional e à demanda futura.
Além disso, há um efeito positivo para as cidades localizadas rio abaixo. Ao usar a água armazenada em suas próprias represas, os municípios a montante deixam maior volume disponível no curso principal, beneficiando diretamente outras localidades da bacia hidrográfica.
Cenário atual na região de Piracicaba
Um levantamento realizado com 18 cidades da região de Piracicaba, cobertas pela EPTV, afiliada da TV Globo, revelou que oito municípios afirmaram possuir represas. Cidades maiores, como Limeira e Piracicaba, dependem majoritariamente da captação de rios.
Municípios com represas incluem:
- Capivari: utiliza a represa fazenda Milhã e o Barramento ETA 2.
- Cordeirópolis: possui as represas do Mirante, Santa Marina 1 e 2, e a represa Barro Preto, responsáveis por 96% do abastecimento.
- Cosmópolis: utiliza a Represa Pirapitingui, mas mantém captação de 30% da água consumida no município pelo Rio Jaguari.
- Ipeúna: informou possuir uma represa que atende cerca de 37% do abastecimento.
- Iracemápolis: abastecida totalmente pelas represas Iracema, Boa Vista e Municipal.
- Nova Odessa: usa a água de seis represas próprias (Recanto I, II e III, Lopes I e II e Palmital).
- Rio das Pedras: utiliza as represas Bom Jesus I e II, Fazenda Nova Java e São Jorge I e II, além da captação de 20 poços artesianos.
- Santa Bárbara d'Oeste: sistema é composto pelas represas Areia Branca, São Luiz e Parque das Águas.
Municípios sem represas ou com sistemas alternativos:
- Charqueada, Limeira e Piracicaba declararam que não possuem represas dedicadas ao abastecimento, utilizando captação direta de rios e riachos.
- São Pedro mencionou possuir reservatórios de água nas próprias estações de tratamento (ETAs), mas que a captação é de rios e poços.
- Rafard e Mombuca afirmaram que utilizam exclusivamente de poços artesianos.
- Águas de São Pedro, Elias Fausto, Engenheiro Coelho e Saltinho não enviaram respostas até a última atualização.
Desafios da especulação imobiliária e expansão urbana
Segundo Lahóz, a falta de planejamento e a demora em executar obras de represas permitiram que a especulação imobiliária e a expansão urbana ocupassem locais geográficos necessários para áreas de alagamento. Muitas vezes, para construir um reservatório, é necessário desapropriar indústrias e habitações, o que gera impactos significativos, explicou.
Ele acrescentou: Por isso, desde o estudo realizado em 1992, o consórcio já defendia que os municípios construíssem seus reservatórios o quanto antes. Sabíamos que, com o passar do tempo, surgiriam novos loteamentos e, depois, a expansão dos condomínios fechados. Muitas áreas que antes indicávamos para a implantação de reservatórios hoje estão ocupadas por esses empreendimentos e, por isso, foram inviabilizadas.
Diferença entre represa e reservatório
Lahóz esclareceu a distinção entre os termos: represa (ou barramento) refere-se à interrupção de um curso d'água para acumular água bruta, usada principalmente para armazenar água das chuvas para o período de estiagem. Já reservatório é mais utilizado para sistemas de água tratada nos bairros, como grandes caixas d'água.
Ele citou o exemplo de Campinas, que construiu recentemente mais de vinte reservatórios municipais nos bairros, ampliando a resiliência do município diante da falta de água. Não se trata de uma solução única. O que recomendamos é um conjunto de medidas que vai desde a proteção da natureza e da recarga do lençol freático até a reservação de água de todas as formas possíveis, como terraceamento, bacias de retenção, cisternas e represas, concluiu Lahóz.