Justiça Federal do Rio ordena remoção de 'puxadinhos' de quiosques na areia da Barra da Tijuca
Justiça manda retirar 'puxadinhos' de quiosques na Barra da Tijuca

Justiça Federal do Rio determina remoção de estruturas irregulares de quiosques na Barra da Tijuca

A Justiça Federal do Rio de Janeiro emitiu uma decisão liminar que ordena a retirada imediata de estruturas irregulares instaladas por quiosques na faixa de areia da praia da Barra da Tijuca, localizada na zona oeste da capital fluminense. A medida atende a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF), que alega uma ocupação indevida de bem público que se estende por aproximadamente duas décadas.

Detalhes da ordem judicial e estruturas a serem removidas

A ordem judicial, proveniente da 34ª Vara Federal, exige especificamente a remoção de diversos itens que avançam sobre a areia, incluindo deques móveis, sofás, mesas, cadeiras, guarda-sóis, banheiros químicos e coberturas de grama artificial. Conforme a determinação, o material esportivo utilizado pelos estabelecimentos deve ser armazenado exclusivamente no subsolo do calçadão, visando preservar a integridade da faixa de areia.

Para o MPF, esta decisão representa um marco importante, pois reconhece que as praias são bens públicos de uso comum do povo e atua como um freio à pressão exercida pela iniciativa privada sobre áreas destinadas à preservação ambiental e ao uso coletivo.

Contexto das ações municipais e histórico do problema

A intervenção da Justiça Federal ocorre no rastro de uma série de medidas adotadas pela Prefeitura do Rio de Janeiro. No dia 14 de janeiro, fiscais de órgãos municipais iniciaram a desmontagem de estruturas irregulares no quiosque Clássico Beach Club e realizaram vistorias em outros estabelecimentos, concedendo um prazo de dois dias para a retirada dos chamados puxadinhos.

Já no final de 2025, uma intimação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente havia sido ignorada pelos proprietários, evidenciando a resistência em cumprir as normas. O problema se caracteriza pela criação de um platô ou quintal anexo aos quiosques, onde a areia é nivelada à calçada e mobiliada de forma irregular.

O MPF critica a inação do município ao longo dos anos, afirmando em processo que a expansão ilegal é conhecida desde 2006, sem que medidas efetivas tenham sido implementadas para conter os danos ambientais e urbanísticos decorrentes.

Operação Verão e o combate a infrações no litoral carioca

Em setembro de 2025, a Prefeitura do Rio deflagrou a Operação Verão, uma iniciativa abrangente destinada a conter os excessos causados pelo overtourism recorde nas praias brasileiras. As fiscalizações se concentraram em múltiplas frentes de infrações, incluindo:

  • A ocupação irregular da faixa de areia e do calçadão por quiosques e barracas.
  • A prática ilegal de cobrança de consumação mínima em estabelecimentos.
  • O comércio proibido de alimentos que utilizam fogo, como queijo coalho e espetinhos.
  • A circulação e estacionamento irregular de bicicletas elétricas.
  • O uso abusivo de caixas de som em volume alto, perturbando a tranquilidade pública.

Este cenário reflete um verão marcado pelo aumento significativo de turistas, que tem levado a situações de vale-tudo e, em alguns casos, a incidentes criminosos, destacando a necessidade de uma gestão mais rigorosa e eficaz das áreas litorâneas.