Orelhões no Alto Tietê: Fim de uma era com retirada de 775 aparelhos a partir de janeiro
Os icônicos orelhões, como são carinhosamente chamados os telefones públicos no Brasil, começam a desaparecer das ruas a partir de janeiro deste ano. Esta medida impacta diretamente a região do Alto Tietê, onde 775 aparelhos serão retirados, marcando o fim de um serviço que fez parte da história das telecomunicações no país.
Retirada nacional e impacto regional
De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a retirada dos orelhões é uma consequência do término das concessões do serviço de telefonia fixa, que envolve cinco empresas responsáveis pelos aparelhos. O contrato chegou ao fim no ano passado, desencadeando esta ação em escala nacional.
No total, 38 mil orelhões serão removidos em todo o Brasil, sendo que mais de 33 mil ainda estão em funcionamento e cerca de 4 mil encontram-se em manutenção. Na cidade de São Paulo, por exemplo, existem mais de quatro mil unidades.
Alto Tietê em números: Mogi das Cruzes lidera em quantidade
A região do Alto Tietê possui uma distribuição significativa desses aparelhos, com destaque para Mogi das Cruzes, que conta com 263 orelhões, o maior número entre os municípios da área. Em contraste, Salesópolis apresenta apenas 14 unidades, sendo a cidade com a menor quantidade.
Confira abaixo a quantidade de orelhões em cada município do Alto Tietê:
- Arujá: 53
- Biritiba Mirim: 24
- Ferraz de Vasconcelos: 64
- Guararema: 27
- Itaquaquecetuba: 106
- Mogi das Cruzes: 263
- Poá: 59
- Salesópolis: 14
- Santa Isabel: 43
- Suzano: 122
- Total do Alto Tietê: 775
Exceções e prazo final
A Anatel estabelece que os orelhões só serão mantidos em localidades onde não há rede de celular disponível, e mesmo assim, apenas até o ano de 2028. Esta regra reflete a evolução tecnológica e a migração para serviços móveis, que tornaram os telefones públicos menos essenciais no cotidiano da população.
História e legado dos orelhões
Parte da memória afetiva dos brasileiros, os orelhões foram criados pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira em 1971. Seu design único, com formato que difere das cabines telefônicas tradicionais, tinha uma justificativa funcional: melhorar a qualidade do som durante as ligações.
O som entrava na cabine e era projetado para fora, o que reduzia o ruído interno e protegia o usuário do barulho externo. Este aspecto inovador contribuiu para que os orelhões se tornassem um símbolo cultural e tecnológico no Brasil.
A retirada dos orelhões no Alto Tietê e em todo o país simboliza o fim de uma era, mas também evidencia o avanço das telecomunicações. Enquanto as cidades se adaptam a esta mudança, a história desses aparelhos permanece viva na memória coletiva.