Fim dos orelhões no Brasil: Anatel inicia remoção em janeiro, Ceará tem 465 aparelhos
Fim dos orelhões: Brasil inicia remoção em janeiro

Fim de uma era: Orelhões começam a ser removidos das ruas do Brasil em janeiro

Os icônicos orelhões, símbolos da comunicação pública por décadas, estão com os dias contados no Brasil. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) confirmou que a remoção definitiva desses aparelhos começará em janeiro, marcando o encerramento de uma era que se estende desde a década de 1970. No Ceará, ainda há 465 telefones públicos espalhados por diversas cidades, mas todos estão sob a ameaça iminente de desaparecimento.

Dados nacionais e situação no Ceará

Segundo dados atualizados da Anatel, o território nacional ainda conta com aproximadamente 38 mil orelhões. Desse total, quase 500 estão localizados no estado do Ceará, sendo que 287 estão ativos e 178 encontram-se em manutenção. A distribuição é desigual: cidades como Pacatuba, Acaraú, Croatá, Jaguaruana, Santana do Cariri e Pereiro possuem apenas um orelhão cada, enquanto Fortaleza, Eusébio e Aquiraz não apresentam registros específicos na base de dados.

Motivos para a retirada e cronograma

A decisão de remover os orelhões está diretamente ligada ao término das concessões do serviço de telefonia fixa. No ano passado, as cinco empresas responsáveis pelos aparelhos – Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica – tiveram seus contratos encerrados, eliminando a obrigação legal de manter essa infraestrutura. A extinção não será imediata em todos os locais, mas a partir de janeiro, iniciará a remoção em massa de carcaças e aparelhos desativados.

Os orelhões só serão mantidos temporariamente em áreas onde não há cobertura de rede celular disponível, e mesmo nessas localidades, a permanência está limitada até 2028. Este processo já vinha ocorrendo de forma gradual nos últimos anos, com uma redução drástica no número de unidades: em 2020, o Brasil ainda possuía cerca de 202 mil orelhões, número que caiu para os atuais 38 mil.

Contrapartidas e investimentos em novas tecnologias

Como parte do acordo para a desativação, a Anatel determinou que as empresas de telecomunicações devem redirecionar seus recursos para investimentos em redes de banda larga e telefonia móvel. Essas tecnologias, que hoje dominam o cenário comunicacional do país, receberão um impulso adicional, visando modernizar a infraestrutura nacional. Dados da agência revelam que, atualmente, mais de 33 mil orelhões permanecem ativos em todo o Brasil, enquanto cerca de 4 mil estão em manutenção.

História e legado do orelhão

O orelhão surgiu em 1971, criado pela talentosa arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira. Inicialmente batizado com nomes como Chu I e Tulipa, o design inovador rapidamente se tornou um ícone cultural. Diferente das cabines telefônicas convencionais de outros países, o formato do orelhão foi pensado para melhorar a qualidade acústica: o som entrava na cabine e era projetado para fora, reduzindo ruídos durante as ligações e protegendo os usuários do barulho externo.

O sucesso do design foi tão expressivo que foi reproduzido em nações como Peru, Angola, Moçambique e China, consolidando-se como uma referência mundial em telefonia pública. A remoção dos orelhões, portanto, não é apenas uma mudança técnica, mas também o fim de um capítulo significativo na história do design e da comunicação no Brasil.