Fim de uma era: Anatel inicia retirada definitiva dos orelhões no Brasil
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deu início ao processo de retirada definitiva dos orelhões em todo o território nacional. Esta medida ocorre após o término das concessões das empresas responsáveis pela manutenção desses equipamentos, marcando o fim de um símbolo icônico das telecomunicações brasileiras.
Baixada Santista será uma das primeiras regiões afetadas
Na Baixada Santista, especificamente, um total de 1.289 orelhões será removido das ruas a partir de 2026. A cidade de Santos se destaca como a localidade com o maior número de aparelhos na região, contando com 357 unidades. Desse total, 353 estão em pleno funcionamento, enquanto apenas quatro encontram-se em manutenção, conforme dados apurados pela TV Tribuna, afiliada da Rede Globo.
Os números detalhados para as cidades da Baixada Santista são:
- Santos: 357 orelhões
- Guarujá: 174 orelhões
- Praia Grande: 160 orelhões
- São Vicente: 157 orelhões
- Cubatão: 112 orelhões
- Itanhaém: 96 orelhões
- Bertioga: 92 orelhões
- Peruíbe: 81 orelhões
- Mongaguá: 60 orelhões
Empresas responsáveis e novas diretrizes da Anatel
As concessionárias que até então gerenciavam o serviço de orelhões incluíam grandes nomes do setor de telecomunicações, como Claro, Algar, Oi, Sercomtel e Telefônica. Com a expiração dos contratos de concessão, não há mais qualquer obrigação legal que as obrigue a manter os equipamentos em operação.
A Anatel determinou que os recursos anteriormente destinados aos orelhões sejam agora redirecionados para investimentos em infraestrutura de banda larga e telefonia móvel. Atualmente, estima-se que apenas 38 mil telefones públicos permaneçam ativos em todo o país, um número drasticamente reduzido em comparação com o auge desses aparelhos.
Processo de remoção e exceções
A retirada dos orelhões será focada, prioritariamente, em aparelhos que já se encontram desativados ou em desuso. No entanto, a Anatel estabeleceu uma importante exceção: em cidades que ainda não possuem cobertura adequada de celular, os orelhões serão mantidos até o ano de 2028. Esta medida visa assegurar que populações em áreas remotas ou com infraestrutura limitada não fiquem completamente desassistidas.
História e legado dos orelhões no Brasil
Os orelhões marcaram profundamente várias gerações de brasileiros, servindo como uma ferramenta essencial de comunicação antes da popularização dos telefones celulares. Criados na década de 1970, esses equipamentos eram, muitas vezes, a única forma de realizar ligações para fora de casa, especialmente em contextos de emergência ou para contatos de longa distância.
O design característico dos orelhões foi desenvolvido pela renomada arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira. Seu projeto foi cuidadosamente pensado para minimizar ruídos externos e melhorar significativamente a qualidade das chamadas, tornando-se um ícone do design funcional brasileiro. Curiosamente, este formato foi tão bem-sucedido que acabou sendo reproduzido em diversos países ao redor do mundo, incluindo Peru, Angola, Moçambique e China.
Apesar de sua importância histórica, os orelhões caíram em desuso com o avanço tecnológico e a massificação dos smartphones. A decisão da Anatel reflete uma adaptação necessária às novas realidades do setor de telecomunicações, priorizando investimentos em tecnologias mais modernas e amplamente utilizadas pela população.