A Prefeitura de Boituva, no interior de São Paulo, anunciou uma reviravolta significativa nesta semana. O Executivo municipal decidiu suspender temporariamente a cobrança do IPTU para 2026, após os novos valores, que em alguns casos superavam 400% de aumento em relação ao ano anterior, causarem surpresa e indignação generalizada entre os contribuintes.
Reajuste polêmico e revolta dos moradores
O caos começou quando os boituvenses receberam os carnês com os valores atualizados. A justificativa inicial da administração municipal era de que o reajuste era resultado da atualização da Planta Genérica de Valores (PGV) do município, uma obrigação legal apontada pelo Tribunal de Contas do Estado.
No entanto, a magnitude dos aumentos deixou a população em estado de choque. Casos emblemáticos ilustram a dimensão do problema:
- Salon Carvalho da Silva, gerente comercial do bairro Green Ville, viu seu IPTU saltar de aproximadamente R$ 1,3 mil em 2025 para quase R$ 3,9 mil em 2026.
- A aposentada Josefa da Silva Pereira, residente no mesmo bairro há 25 anos, enfrentou um reajuste estratosférico de 431%.
- O empresário Edgar Rodrigues, do bairro Reserva dos Ipês, teve o valor do imposto para dois terrenos mais que dobrado, a ponto de repensar sua permanência na cidade.
A insatisfação era unânime, com moradores questionando a lógica dos cálculos e a falta de retorno em serviços públicos para a comunidade.
Prefeitura volta atrás e anuncia medidas de contenção
Diante da forte repercussão negativa, o prefeito Edson Marcusso (PSD) tomou uma decisão drástica na segunda-feira, dia 19. Em nota oficial, anunciou o cancelamento do reajuste e a suspensão temporária da cobrança do IPTU com base na nova PGV.
Marcusso admitiu que, durante uma reavaliação interna, foram identificadas inconsistências que geraram falhas no estudo que embasou os novos valores, exigindo uma correção "imediata e responsável".
Como consequência direta da decisão, a prefeitura prevê um impacto severo na arrecadação municipal para 2026. Para compensar a perda de receita, uma série de medidas de austeridade financeira foi anunciada:
- Redução do quadro de servidores comissionados.
- Cancelamento do Carnaval de 2026.
- Avaliação para o cancelamento de outros eventos.
- Revisão e possível suspensão de contratos vigentes.
- Diálogo com a Câmara Municipal para contenção de gastos também no Poder Legislativo.
E agora? O que acontece com o IPTU?
Para o exercício fiscal de 2026, a prefeitura estabeleceu um novo critério. Os valores do IPTU serão calculados com base nos valores praticados em 2025, acrescidos apenas da correção pela inflação oficial, conforme determina a legislação vigente.
O prefeito ressaltou que o estudo da PGV elaborado pelo Governo do Estado não será descartado. "Ele será apresentado à sociedade e discutido de forma ampla, para podermos definir, juntos, a melhor forma de implementação no futuro", afirmou Marcusso, prometendo transparência no processo.
A decisão aliviou momentaneamente os contribuintes, mas colocou a administração municipal diante do desafio de equilibrar as contas públicas no próximo ano, com cortes que afetarão diretamente serviços e a realização de eventos tradicionais na cidade.