Guilherme Arantes aos 72 anos: Reinvenção e busca pelo sublime na música após problema cardíaco
Guilherme Arantes fala sobre reinvenção e novo disco após problema cardíaco

Guilherme Arantes aos 72 anos: Reinvenção e busca pelo sublime na música após problema cardíaco

O cantor e compositor Guilherme Arantes, aos 72 anos, está em um momento de profunda reinvenção artística e pessoal. Após passar por um problema cardíaco que exigiu tratamento de urgência, incluindo cateterismo e angioplastia, o artista se viu em uma reciclagem forçada de quase três anos. Esse período de reflexão o levou a criar o novo disco Interdimensional e a planejar uma turnê que celebra seus cinquenta anos de carreira.

Um retorno marcado por superação e ambição musical

Em entrevista exclusiva, Arantes revela que o afastamento das atividades em 2025 e as poucas aparições no ano anterior foram essenciais para sua renovação. "Passei quase três anos em reciclagem forçada, pois fiz um tratamento de saúde. Foi um período de reflexão para me renovar em termos musicais e compor um repertório mais ambicioso, com um disco maior", explica o artista. A turnê, segundo ele, representa um reencontro com o público após um longo hiato sem apresentações ao vivo.

A busca estética e o reposicionamento artístico

Atualmente, Guilherme Arantes está focado em um reposicionamento estético que prioriza a elaboração harmônica e melódica. "Tenho passado por um reposicionamento para elaborar esteticamente letras, canções e temas. Nos últimos tempos, tomei um rumo muito harmônico e melodicamente ambicioso, na tentativa de me superar e criar músicas mais bem construídas", destaca. Para ele, o maior prazer continua sendo produzir novas ideias, explorando temas como romantismo, amor e vida cotidiana.

O cenário musical atual e o desafio das 'hit factories'

Arantes analisa o mercado musical contemporâneo, marcado pela era das hit factories, onde gêneros como pagode, axé e sertanejo dominam as vendas em larga escala. "O show business está mudando de escala. Desde os anos 1990, gêneros como pagode, axé e sertanejo vendem na casa do milhão. Nossa geração, dos anos 1980, acabou não vivendo isso na época, mas a MPB é um nicho que está crescendo", observa. Ele ressalta que, enquanto o mercado se volta para o entretenimento, artistas como ele, Djavan e Lenine buscam a arte pela arte, criando obras elaboradas e não necessariamente focadas na diversão.

Cinco décadas de carreira e a busca pelo sublime

Refletindo sobre sua trajetória de cinco décadas, Guilherme Arantes relembra momentos reveladores. "Se eu voltar atrás, quando comecei fazia uma música que era bastante confessional e autorreferente da minha angústia enquanto jovem, da minha solidão e do meu estranhamento. Eu acho isso um privilégio muito grande, porque já entrei nesse universo vendendo minha individuação como angústia diante do mundo, e o mundo respondeu", compartilha. O artista se define como um cara desesperado na busca do sublime nas músicas, valorizando a autenticidade em detrimento de estratégias comerciais.

Perspectivas para o futuro e a resiliência na música

Com o lançamento de Interdimensional e a turnê em andamento, Guilherme Arantes demonstra uma resiliência notável. Sua jornada, marcada por desafios de saúde e adaptação ao novo cenário musical, serve como inspiração para artistas e fãs. A conversa profunda com o cantor revela não apenas sua paixão pela música, mas também sua capacidade de se reinventar e manter viva a chama criativa, mesmo diante das transformações do mercado e da vida pessoal.