Restaurante Flutuante Malveira: Experiência Gastronômica e Cultural no Rio Acre
Restaurante Flutuante Malveira: Sabor e Cultura no Rio Acre

Restaurante Flutuante Malveira: Uma Experiência Única no Coração do Acre

Ancorado em um trecho calmo do Rio Acre, no Segundo Distrito de Rio Branco, o Restaurante Flutuante Malveira se destaca como um espaço que vai além da gastronomia. Funcionando em uma embarcação sustentada por seis toras de madeira, cerca de 100 galões de mil litros e cabos de aço, o local se adapta ao nível do rio, mantendo-se firme tanto na seca quanto na cheia. Mais do que um simples estabelecimento, ele se consolida como um ponto turístico que reúne culinária regional, passeios de barco e uma vista privilegiada do manancial e da Gameleira.

História e Acolhimento: A Essência do Flutuante

Com três anos de fundação, o restaurante é gerido por Carlos Alberto de Souza Moura, de 59 anos, que divide sua rotina entre a churrasqueira, a cozinha e o atendimento ao público. Natural de uma família de seringueiros, Carlos criou o espaço com o objetivo de oferecer um ambiente familiar e acolhedor. "Eu gosto de sorrir, de conversar com as pessoas, de contar histórias. Venho de uma família de seringueiros, por isso quis criar um ambiente familiar, onde as pessoas possam vir, comer bem, tirar foto, apreciar o rio e ir embora feliz", afirmou o proprietário.

Culinária Regional: Do Tambaqui à Galinha Caipira

O cardápio do Flutuante Malveira é focado na culinária acreana, com destaque para pratos como a banda de tambaqui e a galinha caipira. O peixe, assado na brasa, é preparado com técnica e cuidado, sendo pré-cozido no papel-alumínio e finalizado na churrasqueira apenas na hora do pedido, garantindo que fique pronto em até 20 minutos. "Nada aqui é feito de qualquer jeito. O peixe chega à mesa em cerca de 15 minutos, mas ele já passa por um pré-preparo", comentou Carlos. Os tambaquis, carro-chefe da casa, são adquiridos de um frigorífico em Itapuã do Oeste, no interior de Rondônia.

Funcionamento e Desafios: Trabalho em Equipe

O restaurante funciona de quarta a domingo, com uma equipe de cerca de 15 pessoas, entre familiares e funcionários. Nos fins de semana, quando o movimento é intenso e as mesas se esgotam rapidamente, a própria família assume diferentes funções para manter a qualidade do atendimento. Carlos relembrou os desafios iniciais, como a falta de experiência que quase comprometeu a operação, mas destacou que, com organização e ajustes, superou essas dificuldades. "Quando começamos, tudo era novidade. Eu estava fora, em Goiânia, fazendo exames, quando o restaurante lotou pela primeira vez. Foi confusão: faltou organização, luz, comida", disse.

Origens e Evolução: Dos Passeios ao Restaurante

A história do Flutuante Malveira começou antes da gastronomia se tornar o foco principal. Conforme relatado por Karla Malveira Azevedo Moura, filha de Carlos, de 19 anos, a embarcação foi construída em 2021 no Riozinho do Rola, como um espaço de lazer familiar. No entanto, com o interesse de turistas e barqueiros, Carlos decidiu transformá-lo em um restaurante. "Ele construiu o flutuante pensando em um espaço de lazer para a nossa família durante os fins de semana, mas com o tempo, pessoas de jet ski e barqueiros que passavam acabavam encostando achando que tinha almoço para vender, então meu pai que sempre gostou de cozinhar, uniu o útil ao agradável", destacou Karla.

Estrutura Sustentável e Adaptável

A estrutura do flutuante é sustentada por toras de madeira do tipo acapu, utilizadas na construção de palafitas, e galões que auxiliam na flutuação. Toda a construção sobe e desce conforme o nível do rio, ficando presa à margem por cabos de aço. Carlos explicou que as toras têm uma vida útil de 30 a 40 anos dentro d'água, e a localização em uma área de remanso facilita as manutenções sem a necessidade de retirar a embarcação da água.

Experiência Cultural e Turística

Além da gastronomia, o Flutuante Malveira oferece passeios de barco pelo Rio Acre, especialmente durante a cheia, atraindo turistas em busca de experiências imersivas. Muitos visitantes se emocionam com a paisagem, como relatou Carlos: "Tem gente que quase chora. Já ouvi de uma turista do Rio Grande do Sul que ela nunca tinha sentido tanta paz". O restaurante chega a receber mais de 250 pessoas em um único final de semana, vendendo dezenas de bandas de tambaqui.

Planos Futuros: Sustentabilidade e Museu

Carlos, que é engenheiro agrônomo e professor, tem planos ambiciosos para o futuro. Ele pretende tornar o flutuante totalmente sustentável até o início do segundo semestre deste ano, implementando um sistema para evitar que dejetos desaguem no rio. "Tenho planos de fazer uma nova instalação para que a drenagem dos dejetos da pia da cozinha e dos banheiros não desaguem no rio. Antigamente, nossos pais nos ensinavam a jogar tudo que não prestava mais nos rios, mas aprendi que não é assim", pontuou. Além disso, ele planeja criar um museu anexo ao restaurante, contando a história dos seringueiros, ribeirinhos e do homem do campo, com objetos como redes de pesca e taxos de cobre.

Conclusão: Um Legado de Cultura e Sabor

Entre histórias de pescador e o vai e vem das águas do Rio Acre, o Flutuante Malveira se consolida como um símbolo da cultura amazônica, rica em sabores e diversidade. Carlos finalizou: "Isso aqui encanta, sobretudo para quem vem de fora e não está acostumado com a beleza amazônica. Isso mostra que aqui não é só um restaurante. É uma experiência. Eu me sinto privilegiado de ter isso aqui". O espaço não apenas alimenta, mas também conecta pessoas à essência do Acre, promovendo um turismo autêntico e memorável.