Tainá Marrirú, primeira indígena no Miss Brasil Mundo, une beleza e projeto social
Indígena no Miss Brasil Mundo une beleza e projeto social

Tainá Marrirú: a miss indígena que transforma vidas através do esporte

Tainá Marrirú Karajá, representante do Tocantins no concurso Miss Brasil Mundo 2026, divide sua rotina de preparação para o certame de beleza com uma missão profundamente significativa nas comunidades originárias. Aos 25 anos, ela não apenas se dedica aos ensaios e cuidados estéticos, mas também lidera o projeto voluntário Ahãdu, focado no acolhimento e na prevenção ao suicídio entre crianças e jovens indígenas.

O projeto Ahãdu: esporte como ferramenta de transformação

Atleta, pesquisadora e professora formada em Educação Física pela Universidade Federal de Mato Grosso, Tainá explica que o projeto nasceu de uma inquietude durante a pandemia de Covid-19. "Durante minha trajetória compreendi que o esporte é uma ferramenta de transformação. Diante da pandemia, me questionei: como está a saúde mental nas aldeias? Foi através deste questionamento que nasceu a primeira ação do projeto Ahãdu", relata a miss.

A palavra Ahãdu tem origem no Inyrybe, idioma do povo Karajá, e significa "Lua". A iniciativa utiliza atividades esportivas para promover o bem-estar psicológico e físico, combatendo transtornos como ansiedade e depressão que se agravaram globalmente. Tainá observou a precariedade de recursos nas aldeias e decidiu agir, inspirada pelas ações sociais de seu pai, Marcello de Oliveira, falecido precocemente vítima de um câncer cerebral.

Honrando as origens: uma trajetória de dedicação

Tainá Marrirú é a primeira indígena a participar do Miss Brasil Mundo, que chega à sua 64ª edição. Nascida e criada em São Paulo, ela retornou ao Tocantins para trabalhar na aldeia Santa Isabel, na Ilha do Bananal, comunidade materna. "Estou conseguindo cumprir o propósito que eu sempre tracei na minha vida, que é honrar minhas origens, demonstrar que o povo indígena é capaz de estar em locais de fala, de relevância como esse", afirma.

Sua trajetória inclui atuação como pesquisadora no Distrito Sanitário Especial Indígena Tocantins e participação em concursos de beleza desde os 16 anos. Para o futuro, ela almeja representar o Brasil no Miss World, etapa internacional que pode ser uma oportunidade concedida pela organização do concurso nacional.

Legado familiar e impacto social

O projeto Ahãdu é também uma homenagem póstuma ao seu pai. "O meu pai sempre foi adepto a diversas ações sociais. Ele morreu, entretanto, me deixou um legado. Uma herança de amor ao próximo e às crianças, a qual irei levar", destaca Tainá. Essa herança motiva seu compromisso em cuidar da saúde mental e física das novas gerações indígenas, unindo sua paixão pelo esporte à responsabilidade social.

Com o concurso marcado para o sábado, 31 de agosto, Tainá Marrirú se prepara não apenas para desfilar, mas para ampliar a visibilidade de sua causa, mostrando que a beleza pode andar de mãos dadas com a transformação comunitária e o respeito às raízes culturais.