Uma atmosfera de profundo respeito e silêncio tomou conta de Roma nesta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026. A cidade eterna desacelerou seus passos para se despedir de um de seus maiores símbolos de elegância e sofisticação. Dentro da histórica Basílica di Santa Maria degli Angeli e dei Martiri, o tempo pareceu parar para acolher o último adeus a Valentino Garavani, o estilista italiano que faleceu aos 93 anos na última segunda-feira, dia 19.
Uma Despedida Marcada por Emoção e Reverência
A cerimônia fúnebre representou o ponto culminante de dois dias de velório realizados no PM23, espaço cultural da Fondazione Valentino Garavani. Durante esse período, o caixão do estilista permaneceu sob um impressionante arranjo de flores brancas, quase escultórico, antes de ser transportado para a basílica no coração da capital italiana.
O branco dominou completamente o cenário da despedida – nas flores, na luz suave que entrava pelos vitrais e no silêncio respeitoso que pairava no ar. Contudo, o icônico vermelho Valentino surgia em detalhes discretos e significativos: broches cuidadosamente escolhidos, lenços delicadamente drapeados e acessórios que funcionavam como uma assinatura sutil deixada por aqueles que compreendiam profundamente o legado que estavam homenageando.
Constelação de Celebridades e Ícones da Moda
O funeral reuniu uma verdadeira constelação de nomes históricos da moda, cinema e sociedade. Entre os presentes, destacou-se a presença emocionada de Anne Hathaway, musa contemporânea de Valentino, que compareceu ao lado de seu marido, Adam Shulman. A atriz, que vestiu criações do estilista em alguns dos momentos mais emblemáticos de sua trajetória nos tapetes vermelhos internacionais, apareceu com uma sobriedade e comovimento que refletiam sua conexão pessoal com o legado valentiniano.
Anna Wintour, editora-chefe da Vogue americana, chegou acompanhada por Tom Ford, em um gesto que uniu simbolicamente dois capítulos fundamentais da história da moda internacional. A cerimônia também contou com a presença de Alessandro Michele, atual diretor criativo da maison Valentino, e Pierpaolo Piccioli, que comandou a casa por impressionantes 16 anos e foi responsável por atualizar o romantismo característico do fundador para o século 21.
A lista de convidados incluía ainda Donatella Versace, Maria Grazia Chiuri, Olivia Palermo, Johannes Huebl e Bianca Brandolini d’Adda, que se misturaram em uma despedida que parecia transcender o protocolo para se tornar um momento genuinamente íntimo de homenagem.
Reverência Popular e o Código do Vermelho
Do lado de fora da basílica, um grupo de admiradores e fãs se reuniu portando cartazes, mensagens escritas à mão e flores. Muitos escolheram deliberadamente vestir peças na cor vermelha – não como uma simples tendência fashion, mas como uma forma profunda de reverência e reconhecimento. O tom específico criado por Valentino, eternizado mundialmente como Rosso Valentino, atravessou a praça como um código silencioso de pertencimento e admiração coletiva.
O Legado de um Mestre da Alta-Costura
A trajetória de Valentino Garavani é indissociável da própria história da moda moderna. Formado em Paris, o estilista retornou à Itália para fundar, em 1960, sua maison em Roma, transformando definitivamente a cidade em sinônimo de alta-costura internacional. Ao longo de décadas, vestiu primeiras-damas, atrizes consagradas, princesas e mulheres anônimas que buscavam uma ideia muito específica de beleza: refinada, segura, elegantemente luminosa.
Valentino anunciou sua aposentadoria oficial em 2007 e realizou sua despedida definitiva das passarelas em janeiro de 2008, em Paris. Naquele momento histórico, todas as modelos desfilaram vestidas completamente de vermelho – um gesto simbólico que dispensava qualquer explicação verbal, falando diretamente ao coração de quem compreendia a magnitude de sua contribuição para o mundo fashion.
O funeral em Roma não marcou apenas a despedida de um grande estilista, mas o encerramento de uma era na moda internacional. A cerimônia funcionou como um testemunho vivo do impacto duradouro que Valentino Garavani exerceu sobre gerações de criadores, clientes e admiradores – um legado que continuará a inspirar muito além do silêncio respeitoso que envolveu sua última homenagem na cidade que tanto amou e transformou.