O mundo do futebol está enfrentando uma nova fronteira tecnológica que mistura inovação e polêmica. Nesta segunda-feira, 26 de janeiro de 2026, Robert Moreno, ex-treinador da seleção espanhola, voltou aos holofotes por uma acusação inusitada envolvendo o uso de inteligência artificial no esporte.
Acusações e defesa no cenário russo
Moreno, que foi demitido do Sochi FC em setembro, foi publicamente acusado pelo presidente do clube russo de ter sido desligado devido ao uso excessivo de IA em suas funções. Segundo as alegações, o técnico espanhol teria utilizado a tecnologia não apenas para planejar treinamentos, mas também para escalar a equipe e até mesmo buscar novos jogadores para o time.
Em resposta, Moreno publicou uma carta aberta negando veementemente as acusações. O treinador admitiu que a tecnologia era utilizada em alguns departamentos do clube, mas enfatizou que todas as decisões cruciais eram tomadas pela comissão técnica humana.
"Isso é completamente falso"
"Nunca usei o ChatGPT ou qualquer inteligência artificial para me preparar para os jogos, decidir escalações ou escolher jogadores. Isso é completamente falso", declarou Moreno em seu pronunciamento. A defesa do profissional destaca uma distinção importante entre o uso de ferramentas tecnológicas como apoio e a substituição do julgamento humano em momentos decisivos.
A transformação tecnológica do futebol
Embora o caso de Moreno cause estranheza em alguns círculos tradicionais do esporte, ele reflete uma tendência mais ampla. O futebol está atravessando um momento significativo de transformação tecnológica, com a inteligência artificial ganhando espaço em diversas áreas do jogo.
Um exemplo notável dessa evolução é o aplicativo CUJU, idealizado na Alemanha e que já conta com mais de 150 mil usuários no Brasil. A plataforma utiliza IA para identificar novos talentos do futebol, oferecendo uma abordagem democratizada à descoberta de atletas.
Como funciona a tecnologia de descoberta de talentos
O processo do CUJU é simples e acessível:
- Jogadores baixam o aplicativo gratuito
- Posicionam a câmera do celular conforme orientações
- Realizam oito exercícios específicos
- Recebem uma pontuação e classificação por idade e região
As atividades podem ser repetidas diariamente, permitindo que atletas de qualquer localidade tenham a oportunidade de serem avaliados por um sistema padronizado.
Visão dos criadores da tecnologia
Luiz Gustavo, volante que disputou a Copa do Mundo de 2014 e conquistou diversos títulos no Bayern de Munique, é embaixador e um dos fundadores do programa CUJU. A iniciativa conta com apoio de figuras experientes do futebol que acreditam no potencial da tecnologia para transformar o esporte.
Sven Müller, CMO do CUJU, explica a filosofia por trás da plataforma: "Usamos a IA para atender ao ecossistema do futebol na identificação do próximo potencial de jogador profissional ainda desconhecido. E o mais importante, dar a todos as mesmas chances de se desenvolverem e serem vistos. Apenas o desempenho conta, nada mais".
Complementando, não substituindo
Müller enfatiza que o objetivo não é substituir o fator humano, mas sim apoiar e aprimorar de forma eficiente o processo de reconhecimento em níveis regional, nacional e global. Essa visão reflete um equilíbrio que muitos especialistas defendem: a tecnologia como ferramenta de apoio à expertise humana, não como seu substituto.
O caso de Robert Moreno no Sochi FC, portanto, representa mais do que uma simples disputa entre um técnico e um clube. Ele simboliza os desafios e oportunidades que o futebol enfrenta ao integrar tecnologias avançadas em suas operações tradicionais. Enquanto alguns veem risco de excesso, outros enxergam potencial para democratização e eficiência no esporte mais popular do mundo.