Lia de Itamaracá e Daúde celebram brasilidade em álbum histórico 'Pelos Olhos do Mar'
Lia de Itamaracá e Daúde lançam álbum 'Pelos Olhos do Mar'

Lia de Itamaracá e Daúde celebram brasilidade em álbum histórico 'Pelos Olhos do Mar'

O cenário musical brasileiro ganha um novo marco com o lançamento do álbum Pelos Olhos do Mar, um projeto que une duas gerações de grandes cantoras: Lia de Itamaracá e Daúde. Lançado pelo selo SESCSP, este trabalho não é apenas uma coleção de músicas, mas um verdadeiro documento histórico que explora a brasilidade através de ritmos tradicionais como cocos e cirandas. A afinidade entre as artistas vai além das vozes; ambas cantam um Brasil que muitas vezes permanece desconhecido, revelando um DNA cultural rico e vibrante.

Uma fusão de vozes e almas

Abrindo-se à brasilidade, as vozes de Lia e Daúde não apenas se diferenciam, mas também se complementam, iluminando um trabalho enérgico e poderoso. Suas interpretações vêm não só de suas habilidades vocais, mas também de suas almas, que transbordam emoção e autenticidade. O álbum conta com a participação de outras vozes especialmente convidadas, incluindo Assucena, Biu Baracho, Céu, Ceycyly Fulni-Ô, Dulce Baracho, Isaar, Juliana Linhares, Lígia Fernandes e Otto, enriquecendo ainda mais a experiência auditiva.

Destaques das faixas do álbum

Com dez faixas, Pelos Olhos do Mar oferece uma jornada musical diversificada. Eis alguns dos momentos mais marcantes:

  • As Negras (Chico César): A batida embalada e vigorosa, acompanhada por coro, palmas e percussão, abre o álbum com força. As protagonistas entram em cena plenas de energia, estabelecendo o tom para o que vem a seguir.
  • Santo Antônio da Boa Fortuna (Emicida): A introdução alegórica e o teclado que reproduz o som de cordas criam um clima envolvente. O ritmo gingado e o intermezzo adicionam beleza à oração ao santo, tornando esta faixa uma das mais cativantes.
  • Florestania (Russo Passapusso): Os sopros se encontram com a percussão, sacudindo a levada e preparando o terreno para Lia e Daúde brilharem com suas interpretações únicas.
  • A Galeria do Amor (Agnaldo Timóteo): Com guitarra com efeitos, Daúde canta e traduz a criação de Timóteo de forma bela e emocionante. O arranjo traz sopros que arrebatam pela delicadeza, com o trompete assumindo um papel protagonista.
  • Quem é? (Maurilio Lopes e Silvinho): A bateria traz à luz um bolero lindo e clássico, com Lia se atirando aos versos com emoção pulsante. O trompete com surdina no intermezzo adiciona um toque de sofisticação antes de devolver o canto para Lia, em uma performance impecável.
  • Pelos Olhos do Mar (Otto): O bolero que dá título ao álbum vem com trompete, e Lia solta a voz com intensidade, arrasando com sua potência vocal. O coro com vozes abertas e o trompete improvisando com perfeição culminam em um belo final.
  • Bordado (Karina Buhr): A linda melodia de Buhr se destaca, com Daúde cantando apenas com a guitarra antes de o arranjo ganhar ritmo. Lia assume o canto, e o bolero segue com cordas originadas no teclado ao fundo, criando uma atmosfera envolvente.
  • Se Meu Amor Não Chegar Nesse São João (Baracho): A bateria chama e os sopros vêm quentes, com a ciranda açulando o ouvinte em afabilidades que atestam a beleza da música brasileira.

Produção e equipe técnica

O álbum conta com uma equipe de instrumentistas talentosos, incluindo Antonio Neves no trompete, Fábio Sá no baixo, Leo Mendes na guitarra, Pedro Baby na guitarra e violão, Pupillo na bateria, beat eletrônico, percussão e voz, e Zé Ruivo nos teclados. A produção ficou a cargo de Marcus Preto e Pupillo, com direção artística de Marcus Preto e direção musical de Pupillo, garantindo um trabalho coeso e de alta qualidade.

Legado e impacto cultural

Após ratificarem que suas vozes têm poder para entoar qualquer gênero musical brasileiro, Lia de Itamaracá e Daúde encerram o álbum deixando ressoar a beleza rara de suas interpretações. Pelos Olhos do Mar não é apenas um disco; é uma celebração da cultura e cidadania, um testemunho da diversidade musical do Brasil. Com este projeto, as cantoras protagonizaram momentos de pura brasilidade, oferecendo ao público uma obra que certamente será lembrada por gerações.