Do Chamamé ao Carimbó: Uma Jornada Musical Pelo Brasil em Sete Faixas
Quando instrumentos populares se encontram com formações sinfônicas, o resultado pode ser uma experiência sonora de rara excelência. É exatamente isso que o álbum Do Chamamé ao Carimbó oferece aos ouvintes, unindo o Quarteto de Cordas Ensemble SP a dois dos mais renomados percussionistas e pesquisadores musicais do país: o baterista Edu Ribeiro e o percussionista Ari Colares.
Uma Fusão que Percorre o País de Norte a Sul
Com apoio da Lei Aldir Blanc e do Proac, os seis músicos optaram por uma abordagem que valoriza a diversidade melódica e os ritmos percussivos característicos das diferentes regiões brasileiras. O trabalho cria um verdadeiro panorama musical nacional, transportando o ouvinte através de sete composições autorais que exploram desde os sons do Nordeste até as tradições do Sul.
As Sete Faixas que Compõem o Álbum
O álbum apresenta uma sequência cuidadosamente elaborada de ritmos e influências:
- "Maracatim" (Maracatu/Baião – Nordeste): Os violinos do Ensemble iniciam a jornada, enquanto a percussão de Ribeiro e Colares introduz a pegada característica do maracatu e do baião nordestinos. O contraste entre cordas e percussão cria uma dinâmica que realça a beleza dos arranjos.
- "Canoa" (Tambor de Crioula – Maranhão): O Ensemble ataca com vigor, respondido pelos tambores de Crioula em uma demonstração de força rítmica que impressiona pela intensidade.
- "Cebola no Frevo" (Frevo – Nordeste): O tambor puxa a percussão que se expande, enquanto o violino se aproxima com sons aleatórios que dialogam com os ritmistas. O frevo surge suavemente, moldado pela inventividade dos arranjos.
- "Dona Dindinha" (Carimbó – Norte): Ritmo e cordas se unem em uma demonstração de pujança instrumental. A presença do carimbó paraense se manifesta por completo, com um intermezzo dos ritmistas que revela toda sua versatilidade, incorporando sons indígenas e africanos – considerada por muitos a melhor faixa do álbum.
- "Mathias" (Chamamé – Sul): As cordas iniciam delicadamente, enquanto a percussão introduz o chamamé sulista. Os desenhos das cordas criam um clima de tensão nos arranjos, que são progressivamente incrementados pelas cordas em uma interpretação emocionante.
- "Quilombo" (Jongo – Sudeste): O tambor arrepia na introdução do jongo brasileiro, com a percussão oferecendo apoio sólido. As cordas pontuam habilmente a atmosfera jongueira, criando uma textura sonora rica e envolvente.
- "Carimbó Improvisado" (Carimbó – Norte): A pujança do carimbó retorna com sua cadência malemolente e sensual. Os violinos se lançam no improviso, enquanto a concepção do arranjo assume toda a magnitude amazônica em uma conclusão poderosa.
A Magia da Fusão Entre Sinfônico e Popular
A sonoridade das cordas do Ensemble, combinada com os instrumentos de percussão, não cria inconsistências, mas sim alcança uma identificação enérgica entre os estilos. A maneira desabrida com que os músicos sinfônicos buscaram atiçar sua pegada popular encontrou perfeito alinhamento com os músicos populares, que retribuíram com performances plenas e autênticas.
Todos os envolvidos corresponderam não apenas às expectativas mais otimistas, mas também ao sucesso artístico da empreitada. Este é um trabalho que merece ser conferido por todos que amam música brasileira em sua essência mais pura e diversa. Enriqueçamo-nos ouvindo-o com toda atenção que merece.
Ficha Técnica Completa
O álbum conta com a participação de:
- Quarteto de cordas Ensemble SP: Marcelo Jaffé (viola), Betina Stegmann (violino), Nelson Rios (violino) e Rafael Cesário (violoncelo)
- Edu Ribeiro (bateria)
- Ari Colares (percussão)
Uma fusão que celebra a riqueza musical brasileira através de uma abordagem inovadora e respeitosa das tradições regionais.