Rainhas de Bateria: Paixão, Identidade e Irmandade no Carnaval Carioca
Rainhas de Bateria falam sobre trajetória e união no Carnaval

Rainhas de Bateria: Paixão, Identidade e Irmandade no Carnaval Carioca

Todos os anos, o coração das escolas de samba se abre na avenida para receber figuras icônicas: as rainhas de bateria. Chegar ao posto mais cobiçado do carnaval é um privilégio para poucas, mas sustentar a coroa por uma década ou mais é uma conquista ainda mais rara. Quatro veteranas – Bianca Monteiro, Evelyn Bastos, Sabrina Sato e Viviane Araujo – compartilham suas trajetórias, revelando a paixão pela comunidade que as move e a força da irmandade que as une.

Trajetórias Marcadas pela Dedicação e Superação

Bianca Monteiro, que foi passista da Portela por 16 anos antes de assumir a frente da bateria, conquistou um título logo em sua estreia. "Pra eternizar meu nome eu preciso ser campeã do carnaval, eu olhei pro tempo e joguei no universo e o universo foi lá e me deu esse presente", relata ela, emocionada. Já Evelyn Bastos nasceu e cresceu no morro da Mangueira, viu a mãe ser rainha e hoje carrega a responsabilidade de representar sua comunidade. "É o retrato da mulher negra que dança, da mulher negra que sobe e desce o morro todos os dias e vive ali o seu dia a dia, sua rotina, mas que aos finais de semana ela vira rainha de bateria, e que no carnaval ela coloca uma coroa na cabeça e reina no maior palco a céu aberto do mundo", descreve Evelyn.

Diversidade e Inclusão no Samba

Sabrina Sato, paulista de ascendência japonesa, encontrou seu lugar na escola de Noel, a Vila Isabel, e destaca a ausência de preconceito no samba. "Eu com esses olhos puxados caipira, com esse sotaque, estar no carnaval carioca. É impressionante como o samba não tem preconceito, né?", questiona ela, enfatizando a acolhida que recebeu. Viviane Araujo, conhecida como a rainha das rainhas desde seus tempos no Salgueiro, reflete sobre sua conexão com a comunidade, mesmo não sendo nascida nela. "Eu não sou da comunidade, mas me considero por eu saber que eu também tenho respeito dessas pessoas. É uma história muito bonita, uma história muito digna, uma história verdadeira, de muito amor, de muita dedicação", afirma Viviane.

O Significado do Posto e a Conexão com o Público

Para Bianca, ser rainha de bateria vai além do glamour: "Esse posto é um lugar que dá vida à mulher através dela, fala não só dela, mas fala por toda uma comunidade, por toda uma história". Sabrina complementa, destacando a importância do carisma e da conexão: "É uma mistura de carisma com samba, com conexão com a bateria, com a conexão com o público". Viviane ressalta o papel central da bateria: "Bateria é coração da escola, é onde realmente pulsa de verdade, que arrepia quando passa, todo mundo quer ver".

Competição e Admiração Mútua entre as Rainhas

Em um ambiente competitivo como o carnaval, as rainhas mostram que a rivalidade não impede a admiração. Viviane explica: "A gente quer fazer o melhor pela nossa escola, então a competição é ali. Mas entre a gente, cada uma a gente se admira de fato. Eu quero ver como ela vem, eu quero assistir todas que eu posso, eu adoro, e adoro vibrar com cada uma que passa ali". Sabrina destaca a diversidade de personalidades: "Cada rainha tem uma personalidade completamente diferente da outra, nenhuma se parece com nenhuma". Bianca celebra essa pluralidade: "Pego um passinho de uma, passinho da outra, boto meu charme, eu acho lindo. O gostoso do sambar é cada uma tem a sua identidade".

Irmandade e Empoderamento Feminino

Evelyn Bastos traz uma reflexão poderosa sobre a importância da união: "Eu aprendi que eu não posso avançar sozinha, porque se eu avanço sozinha, lá na frente eu perco forças. Então eu gosto de avançar com aquele bonde de mulheres maravilhosas, que é pra gente somar forças. Eu tô falando da Sapucaí, mas a gente fala também um pouquinho da vida do dia a dia, a gente precisa aplaudir umas às outras para que a gente possa ser digna de ser aplaudida também". Essa mensagem ressoa além da avenida, inspirando mulheres em todos os âmbitos da vida.

Essas veteranas na avenida demonstram que ser rainha de bateria é muito mais do que um título – é uma missão de representação, amor ao samba e fortalecimento comunitário, que pulsa no coração do carnaval brasileiro.