Festival Distrito Sonoro estreia em Ceilândia com programação gratuita e foco na cena musical do DF
O Distrito Federal recebe neste sábado, dia 31 de janeiro de 2026, a primeira edição do Festival Distrito Sonoro, um evento cultural inovador que integra música, sustentabilidade ambiental, impacto social e formação artística. A programação completamente gratuita acontece das 17h às 2h no Beco do Porco, localizado na QNN 2, em Ceilândia, com expectativa de atrair um público rotativo de até duas mil pessoas ao longo do evento.
Mais do que música: uma plataforma de articulação cultural
Criado com o objetivo principal de fortalecer e dar visibilidade à cena musical do Distrito Federal, especialmente para DJs e produtores locais, o festival vai muito além dos palcos musicais. A iniciativa articula uma programação diversificada que inclui:
- Shows e apresentações musicais
- Painéis de debate sobre empreendedorismo cultural
- Simpósio cultural com discussões sobre políticas públicas para a música
- Feira criativa para pequenos empreendedores
- Ações de bem-estar e práticas sustentáveis
Entre os destaques da programação estão os painéis Vozes da Cena, que discutem temas como economia criativa e políticas públicas para o setor musical, e o DSX Talks, realizado em formato de apresentação solo. À noite, o palco principal recebe as apresentações musicais que são o coração do evento.
Protagonismo periférico e formação contínua
O idealizador do festival, DJ e produtor cultural Gui Dantas, explica que o Distrito Sonoro nasce da necessidade urgente de articulação da cena de DJs e produtores do DF, especialmente diante da precarização do trabalho cultural no período pós-pandemia. A escolha por Ceilândia como sede do evento não foi aleatória.
"Ceilândia é o maior território cultural do Distrito Federal, com enorme potência criativa, mas historicamente pouco contemplado por políticas de lazer e grandes eventos estruturantes", afirma Dantas. A região administrativa completa 53 anos e é a mais populosa do DF.
Mais do que um evento pontual, a proposta é estruturar uma rede contínua de oportunidades, circulação artística, formação profissional e diálogo com políticas públicas. "Muitos artistas não conseguem acessar editais, políticas de fomento ou estruturar projetos de forma sustentável. Falta formação continuada e políticas que enxerguem a música periférica como vetor econômico e cultural", complementa o produtor.
Sustentabilidade como método e não como discurso
Um dos pilares centrais do Festival Distrito Sonoro é a sustentabilidade ambiental, com meta ambiciosa de reduzir em até 80% o impacto ambiental gerado pelo evento. Para alcançar esse objetivo, serão implementadas diversas práticas:
- Logística reversa para materiais utilizados
- Recolhimento sistemático de materiais recicláveis
- Parceria com cooperativas de reciclagem locais
- Ação "Troque e Ganhe" que oferece brindes como ecocopos e ecobags em troca de resíduos recicláveis
"O principal desafio está na logística e no custo de práticas sustentáveis em eventos independentes, especialmente na periferia", reconhece Gui Dantas. "O Distrito Sonoro enfrenta isso com planejamento detalhado. Sustentabilidade aqui não é discurso, é método de trabalho".
Impacto social e econômico na comunidade
A entrada no festival será gratuita, mas com a contrapartida de doação de alimentos não perecíveis que serão destinados a instituições sociais como a Mesa Brasil e organizações comunitárias do Distrito Federal. Esta iniciativa reforça o caráter social do evento.
O festival também pretende estimular a economia criativa local de forma significativa. "Ativamos diretamente a economia ao contratar artistas, técnicos e mediadores locais, além de abrir espaço para pequenos empreendedores na feira criativa", explica Gui Dantas. "Promovemos parcerias estratégicas com comércios da região, ampliando o impacto econômico para muito além do evento em si".
O projeto é uma parceria do Coletivo Distrito Sonoro com apoio do Instituto No Setor e Fomento da Secretaria de Cultura e Economia do Distrito Federal, representando uma colaboração entre iniciativa privada e poder público para fomentar a cultura local.