CBF anuncia programa inédito de profissionalização da arbitragem com investimento milionário
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou, nesta terça-feira, 27 de janeiro de 2026, o primeiro Programa de Profissionalização da Arbitragem (PRO) em âmbito nacional. A iniciativa representa um marco histórico para o futebol brasileiro, com um investimento inicial de R$ 195 milhões destinado ao biênio de 2026/27.
O programa contemplará, em sua fase inaugural, um total de 72 árbitros que atuam na Série A do Campeonato Brasileiro. O modelo foi desenvolvido pelo Grupo de Trabalho de Arbitragem da CBF, liderado por Netto Góes, que detalhou as mudanças em coletiva de imprensa.
Estrutura remuneratória e exigências para os árbitros
Os profissionais selecionados serão remunerados com salários mensais fixos, complementados por taxas variáveis e bônus por performance. Embora devam priorizar a atividade arbitral, não há obrigatoriedade de exclusividade, permitindo que atuem em outras competições ao longo do ano.
Do grupo de 72 árbitros, 20 ocupam a posição de árbitros centrais, sendo 11 deles integrantes do quadro da FIFA. Além disso, 40 atuam como assistentes, incluindo 20 também vinculados à FIFA, e 12 profissionais, igualmente da FIFA, desempenham funções no sistema de árbitro de vídeo (VAR).
Sistema de avaliação e capacitação contínua
Um dos pilares centrais do PRO é a implementação de avaliações sistemáticas e capacitações mensais para todos os envolvidos. Os árbitros serão avaliados por observadores e uma comissão técnica contratada pela CBF, recebendo notas e sendo ranqueados a cada rodada do campeonato.
A composição das notas considera variáveis fundamentais como controle de jogo, aplicação correta das regras, desempenho físico e clareza na comunicação durante as partidas. Com base nessas avaliações, os profissionais estarão sujeitos a rebaixamentos ou promoções anuais, dependendo de seu desempenho ao longo da temporada.
Pilares estratégicos e inovações tecnológicas
Netto Góes, presidente do GT de Arbitragem, destacou que o PRO está estruturado em quatro pilares estratégicos: Estrutura Geral, Excelência com Saúde, Capacitação Técnica e Tecnologia e Inovação. Segundo ele, a iniciativa atende a uma demanda histórica do esporte e está alinhada com os anseios de clubes, dirigentes, atletas, árbitros e, principalmente, dos torcedores.
Os árbitros beneficiados pelo programa contarão com planos individualizados de treinamento, incluindo uma rotina semanal de exercícios, e estarão sob monitoramento tecnológico por meio de smartwatches e outros dispositivos. Anualmente, passarão por quatro avaliações abrangentes, que incluem testes físicos e simulações de situações de jogo.
Consequências para erros e protocolos de afastamento
O PRO estabelece protocolos rigorosos para casos de erro grave durante as partidas. Em tais situações, o árbitro envolvido será afastado por um período de 28 dias, com retorno obrigatório a uma divisão anterior para reaprimoramento. A CBF reserva-se o direito de rescindir contratos unilateralmente em caso de recorrência de falhas significativas.
Além disso, profissionais reprovados nas avaliações trimestrais ficarão impedidos de atuar pelos três meses subsequentes, recebendo apenas a parcela fixa de seus salários durante esse período. Essas medidas visam assegurar um padrão elevado de qualidade e responsabilidade na arbitragem nacional.
O lançamento do programa coincide com o início da Série A do Brasileirão, marcado para esta quarta-feira, 28 de janeiro, simbolizando uma nova fase para o futebol brasileiro. A expectativa é que o PRO contribua significativamente para o aprimoramento da arbitragem, impactando positivamente a qualidade das partidas e a experiência dos torcedores.