Documentário sobre Melania Trump gera intensa polêmica com investimento milionário
O documentário "Melania", que estreia globalmente nesta sexta-feira (30), tornou-se o centro de uma intensa controvérsia financeira e política nos Estados Unidos. O motivo principal é o investimento de US$ 75 milhões realizado pela Amazon MGM Studios, valor considerado extraordinariamente alto para o gênero documental.
Detalhes do investimento e críticas
De acordo com informações publicadas pelo jornal New York Times, o montante inclui aproximadamente US$ 40 milhões pelo licenciamento da obra e outros US$ 35 milhões destinados a uma agressiva campanha de marketing. Analistas da indústria cinematográfica e críticos questionam abertamente os motivos por trás de um gasto tão elevado.
O executivo Ted Hope, que trabalhou na Amazon entre 2015 e 2020 e foi fundamental no início da divisão cinematográfica da empresa, expressou seu espanto ao jornal: "Este tem que ser o documentário mais caro já feito que não envolve o licenciamento de música. Como pode não ser comparado com uma compra de favores ou um suborno explícito?"
Contexto político e controvérsias
O filme acompanha a trajetória de Melania Trump durante os 20 dias que antecederam a posse de Donald Trump na presidência americana. A polêmica se intensifica com revelações de que a primeira-dama teria recebido pessoalmente cerca de US$ 30 milhões do pagamento inicial feito pela gigante tecnológica, segundo informações do jornal Guardian.
Além disso, o fato de Melania Trump ter exercido controle editorial sobre o conteúdo levantou questões sobre a integridade artística e o valor jornalístico do documentário. O apresentador Jimmy Kimmel, que já foi tirado do ar após pressão do presidente Trump, chegou a descrever o filme como um "suborno de US$ 75 milhões".
Comparações com outros documentários
O investimento em "Melania" contrasta drasticamente com produções similares:
- O documentário "RBG", sobre a juíza da Suprema Corte Ruth Bader Ginsburg, foi produzido por apenas US$ 1 milhão
- A campanha de marketing do mesmo filme, que rendeu duas indicações ao Oscar, custou aproximadamente US$ 3 milhões
- Enquanto "RBG" foi lançado inicialmente em 34 cinemas nos EUA, "Melania" chegará a entre 1.500 e 3.300 salas globalmente
Estratégia de lançamento e projeções
Apesar do enorme investimento em marketing, que incluiu inserções publicitárias durante jogos da NFL e forte presença na Fox News, as projeções de bilheteria para o primeiro fim de semana nos Estados Unidos variam entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões. Para que o projeto seja considerado um sucesso financeiro nos cinemas, ele precisaria superar recordes históricos da categoria documental.
Donald Trump tem utilizado sua rede social Truth Social para promover o documentário como imperdível, alegando que os ingressos estão esgotando rapidamente. No entanto, dados de vendas antecipadas mostram um cenário misto, com baixa procura em cidades como Nova York e Londres, enquanto em redutos conservadores como o Texas a demanda é mais significativa.
Controvérsias adicionais e contexto
O projeto marca o retorno do diretor Brett Ratner, que não lançava um longa-metragem desde 2017, após ter sido alvo de múltiplas acusações de má conduta sexual, as quais ele nega veementemente. A Amazon também realizou uma exibição privada na Casa Branca para convidados VIP e CEOs de grandes empresas, ao mesmo tempo em que optou por não realizar sessões prévias para a crítica especializada.
Internacionalmente, o documentário já enfrenta obstáculos diplomáticos. Na África do Sul, o filme foi retirado de cartaz pelo distributor local, decisão que ocorre em meio a tensões crescentes entre Donald Trump e o governo sul-africano.
Mudança de rumo da Amazon e reações internas
O investimento em "Melania" representa uma mudança significativa de direção para a Amazon, que anteriormente era conhecida por distribuir documentários de viés progressista adquiridos por valores muito menores, como obras sobre James Baldwin e Stacey Abrams.
Relatos internos sugerem que funcionários da divisão de entretenimento da Amazon expressaram desconforto com o projeto. A aquisição teria sido uma decisão direta da liderança da empresa, e os empregados foram instruídos de que não poderiam se recusar a trabalhar no filme por motivos políticos.
Nas bilheterias, o documentário enfrentará concorrência acirrada de filmes de ficção, como o suspense de terror "Socorro!" de Sam Raimi, estrelado por Rachel McAdams, cuja arrecadação estimada para o fim de semana é de US$ 14 milhões.
Para Melania Trump, o projeto serve como lançamento de sua nova empresa de produção, a Muse, sinalizando seu desejo de estabelecer uma carreira independente como produtora e figura midiática, para além do papel de esposa do presidente americano.