Filme brasileiro 'O Agente Secreto' brilha com quatro indicações ao Oscar e iguala recorde histórico
O cinema nacional celebra uma conquista expressiva nesta quinta-feira, 22 de janeiro. A obra 'O Agente Secreto', dirigida por Kleber Mendonça Filho e protagonizada por Wagner Moura, recebeu quatro indicações para a cerimônia do Oscar 2026, empatando assim o recorde estabelecido pelo aclamado filme 'Cidade de Deus'. As nomeações abrangem categorias de prestígio, reforçando o reconhecimento internacional da produção brasileira.
Detalhes das indicações e orçamento da produção
O longa-metragem vai concorrer nas seguintes categorias do Oscar:
- Melhor seleção de elenco
- Melhor filme internacional
- Melhor ator, para Wagner Moura
- Melhor filme
O orçamento total para a filmagem foi de R$ 28 milhões, conforme dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine). Esse montante foi dividido entre quatro países: Brasil, França, Alemanha e Holanda, evidenciando uma coprodução internacional que fortalece laços culturais e financeiros.
Financiamento brasileiro e papel do Fundo Setorial do Audiovisual
A parte brasileira no orçamento correspondeu a R$ 13,5 milhões. Desse valor, R$ 7,5 milhões foram provenientes do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), um mecanismo vinculado ao Ministério da Cultura com o objetivo de fomentar obras audiovisuais no país. O restante foi alcançado por meio de aportes privados, demonstrando um equilíbrio entre investimento público e iniciativa do mercado.
O FSA é financiado por contribuições do próprio setor audiovisual, incluindo:
- A Condecine, taxa paga por empresas como emissoras de TV e exibidores.
- Valores do Fistel (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações).
- Receitas associadas a concessões.
A gestão do fundo é realizada pela Ancine, enquanto o BNDES atua como agente financeiro responsável pela operacionalização dos recursos, garantindo transparência e eficiência no uso do dinheiro.
Comercialização e esclarecimentos sobre incentivos fiscais
A comercialização do filme demandou um investimento adicional de R$ 4 milhões. Desse total, o FSA contribuiu com R$ 750 mil, e outros R$ 3 milhões foram bancados através da Lei do Audiovisual. Essa legislação permite que pessoas físicas e jurídicas destinem parte do Imposto de Renda para obras audiovisuais selecionadas pela Ancine, recebendo em contrapartida até 6% de isenção fiscal.
É importante destacar que, diferentemente de informações falsas circulando nas redes sociais, 'O Agente Secreto' não recebeu recursos via Lei Rouanet. A Lei Rouanet é um mecanismo de incentivo fiscal que não prevê repasse direto de verbas governamentais, mas sim a renúncia fiscal para investimentos em projetos culturais aprovados. Conforme as regras, ela pode contemplar filmes de curta e média metragens, mas não se aplica a longa-metragens como este caso.
As categorias elegíveis para captação via Lei Rouanet incluem:
- Artes cênicas, como teatro, dança e circo.
- Música, abrangendo concertos sinfônicos e música popular.
- Artes visuais, incluindo exposições de pintura e fotografia.
- Humanidades, como literatura e feiras literárias.
- Audiovisual, para festivais de cinema, documentários e curta/média metragem.
Essa distinção é crucial para entender os diferentes mecanismos de fomento à cultura no Brasil e evitar desinformação.